Tarso Genro no X:

Crédito: Divulgação/Redes sociais
O texto abaixo está em

Faz parte da liberdade de imprensa “naturalizar” o fascismo, a misoginia e incentivar simbolicamente o ódio e a violência? Faz, porque a Constituição impede a censura prévia e a democracia – como principal utopia da República moderna – admite excessos, embora prevendo duras punições, quando esses são nitidamente atos preparatórios para crimes maiores. Mas atenção: caluniar, difamar, injuriar, são comportamentos criminosos que podem ser enquadrados como delitos isolados, mas, simbolicamente, também podem “sugerir” e preparar crimes mais graves contra as pessoas ou contra o Estado, tanto previstos na Legislação Eleitoral como no Código Penal. O que é impressionante, todavia – na formação da República moderna neste Brasil da Constituição de 88 – é a tolerância da ampla maioria da imprensa empresarial com a estratégia fascista que se dissemina no mundo, comandada por Trump e por Milei, este – particularmente – aqui na América do Sul. Esse “incidente” com a Manuela e a timidez ou a omissão da grande imprensa em criticar o seu protagonista principal que quer governar nosso Estado, é um episódio da sinfonia macabra que já nos custou quatro anos de maldades e estupidez governando o nosso país. Já notaram a delicadeza com que eles tratam as bandidagens globais de Trump? Perceberam o carinho compreensivo que eles tiveram e tem – em regra – com os desatinos genocidas do bolsonarismo, notaram uma postura “compreensiva” que eles adotam com quem simbolicamente- acena com a “eliminação” de uma candidata adversária? A ausência de adjetivos qualificativos mesmo usados com moderação, para denunciar a extrema direita violenta, obstrui – na verdade – a formação de um conceito sobre ela. E a ausência de um conceito público sobre o que essas correntes políticas são e o que já fizeram, para destruir os valores humanistas da modernidade democrática, está retratada em vários momentos contemporâneos: na construção dos Campos de Concentração, no livre assassinato para eliminar crianças em Gaza, na defesa pública da tortura, que caracterizam práticas medievais dos projetos neofascistas atuais, que grassam mundo afora. Deve ser observado, todavia, que esta “postura compreensiva” em época eleitoral, pode se tornar – por omissão – uma cumplicidade explícita com o extremismo de direita genocida, que já governou o Brasil e não se envergonha do que fez. E mais, que agora quer entregar diretamente o Brasil para um Governo estrangeiro! Uma omissão cúmplice pode ser compreendida como um “passe livre” para violência. O Brasil não é um país “polarizado”, como quer convencer a “grande imprensa”, pois divergências de fundo e de forma são partes de qualquer democracia que se preze. O Brasil é um país em que essa democracia que “se preza”, está sendo atacada pela fascismo, que é intolerante e genocida, e pela traição nacional, que hoje está no seu âmago.

NO AR
Rádio RCC