Patrícia Alba
Deputada Estadual (MDB) e presidente da Comissão de Educação da ALRS
Existem dores que mudam para sempre a vida de uma pessoa. A perda de um filho é uma delas. É uma ruptura que desafia qualquer lógica, cala as palavras e transforma o tempo. Não existe despedida capaz de preparar um pai ou uma mãe para esse momento. Não existe ordem natural que faça sentido quando quem parte é um filho.
Talvez por isso o luto parental ainda seja tão incompreendido. Vivemos em uma sociedade que acolhe a perda por alguns dias. E, logo depois, espera que a vida siga seu curso. Como se existisse prazo para deixar de sentir saudade.
Defender a causa do luto parental é, antes de tudo, reconhecer que milhares de famílias carregam diariamente uma ausência que nunca deixará de existir. É compreender que ninguém supera a perda de um filho. Aprende-se, com muita coragem, a sobreviver a ela.
Neste mês, marcado pela campanha Julho Âmbar, que dá visibilidade ao tema, o Rio Grande do Sul também realiza a Semana Gaúcha de Conscientização sobre o Luto Parental, instituída pelas Leis Estaduais nº 15.313/2019 e nº 15.895/2022. Mais do que um período de reflexão, essa mobilização representa um chamado à sociedade para enxergar, acolher e respeitar milhares de famílias que convivem diariamente com uma ausência que jamais deixará de existir.
Cada mãe e cada pai que encontro nessa caminhada me ensinam uma lição de amor e coragem. São pessoas que transformam o sofrimento em acolhimento para outras famílias. E essa dor se transformou em um propósito na ONG Amada Helena, cujo trabalho acompanho desde 2013.
Defender a causa do luto parental é reconhecer que ninguém supera a perda de um filho; aprende-se, com enorme esforço, a conviver com ela. Por isso, sigo comprometida em fortalecer políticas públicas que garantam atendimento psicológico, redes de apoio, acolhimento e respeito, seja com emenda para melhorar a estrutura da ONG e ampliar a qualificação ou com a publicação de cartilhas sobre o tema.
A política só cumpre sua missão quando consegue cuidar também das dores invisíveis. Contudo, nenhuma lei devolverá um abraço, um sorriso ou os sonhos interrompidos. Mas uma lei pode garantir dignidade ou romper o isolamento. Pode dizer a uma mãe e a um pai que eles não estão sozinhos.
É por isso que sigo apoiando essa essa causa. Enquanto houver famílias que precisem ser ouvidas, haverá também o meu compromisso de transformar empatia em ação e acolhimento em política pública. Porque nenhuma mãe e nenhum pai deveriam caminhar sozinhos pela mais difícil das travessias.
