Sou um homem de direita. Tenho orgulho da minha trajetória. Fui deputado federal de oposição aos governos da esquerda, tive a honra de relatar a Lei da Liberdade Econômica e continuo acreditando que o Brasil cresce com mais liberdade para empreender, menos burocracia e um Estado eficiente.
Nada disso mudou.
Recentemente estive ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Instituto Mauá de Tecnologia, acompanhando o início da fase operacional dos testes que poderão abrir caminho para a adoção do B25, a mistura de 25% de biodiesel ao diesel brasileiro.
A imagem chamou a atenção de muita gente. Alguns perguntaram como alguém que sempre fez oposição aos governos da esquerda poderia estar naquele momento.
A resposta é simples: eu não estava ali como eleitor, nem como integrante de um projeto político. Estava como presidente da APROBIO, representando um setor estratégico para o desenvolvimento do Brasil.
O maior resultado daquele encontro não foi político. Foi institucional. E, sobretudo, econômico.
Os testes representam mais um passo para que o Brasil possa alcançar algo que parecia distante: a quase autossuficiência na oferta de diesel, combinando a produção nacional de diesel fóssil com o biodiesel produzido no país, a partir de matéria-prima brasileira.
Isso significa reduzir a dependência das importações, fortalecer o agronegócio, gerar empregos, estimular investimentos, ampliar a segurança energética e consolidar o Brasil como uma referência mundial na transição energética.
Nenhum desses ganhos pertence à direita ou à esquerda.
Pertencem ao Brasil.
Continuarei defendendo minhas ideias, acreditando na liberdade econômica e apoiando, nas eleições, os candidatos que representam esse projeto de país.
Mas quem vence uma eleição governa todos os brasileiros. E quem representa instituições tem o dever de dialogar com o governo legitimamente eleito quando o interesse nacional está em jogo.
Foi isso que aquele encontro simbolizou.
O presidente da República reafirmou a importância de acelerar, com responsabilidade técnica, os testes necessários para a evolução da mistura. Da mesma forma, o setor demonstrou que está cumprindo todas as exigências estabelecidas, oferecendo ao país segurança técnica para que as decisões sejam tomadas com base em evidências, e não em preconceitos ou narrativas.
Dialogar não é concordar com tudo. Também não é abrir mão das convicções. É compreender que existem causas maiores do que qualquer partido.
A polarização pode render votos. O diálogo produz resultados.
Saio desse episódio ainda mais convencido de que é possível preservar princípios e, ao mesmo tempo, construir pontes.
Não mudei de lado.
Continuo com as mesmas convicções.
Mas também continuo acreditando que o Brasil precisa vir antes das disputas políticas.
Porque chega um momento em que a política precisa terminar.
E é exatamente aí que o Brasil começa.
