Quem disse que ser avó é sinônimo de desacelerar? Em Sant’Ana do Livramento, Mara Dias prova que é possível viver a maturidade com movimento, leveza e muita paixão pela vida, sem deixar de lado o papel mais especial de todos: o de avó.
Se alguém pedir para descrever uma avó, talvez muita gente ainda imagine uma senhora sentada na cadeira de balanço, fazendo tricô ou esperando os netos chegarem para o café da tarde. Mas os tempos mudaram. E muito.
Quem circula pela Fronteira certamente já viu Mara Dias nos palcos, em apresentações ou à frente de suas turmas de dança. O que muitos talvez não saibam é que, por trás da bailarina e professora que inspira gerações há mais de quatro décadas, existe uma avó apaixonada pelas duas netas, Luísa Helena e Giovana Rafaela.
A dança entrou cedo em sua vida. Ainda menina, começou como aluna na Escola Polivalente, onde conheceu a professora Nereida Lampert, responsável por despertar uma paixão que nunca mais terminou. Hoje, são mais de 45 anos dedicados à arte de dançar.
Para Mara, porém, a dança vai muito além de uma profissão.
“Ela representa, literalmente, a minha vida.”
A rotina intensa, dividida entre aulas nos três turnos, apresentações e compromissos, faz com que nem sempre seja possível estar ao lado das netas como gostaria. Ainda assim, os finais de semana são reservados para recuperar o tempo e criar novas memórias em família.
A neta mais velha, Luísa Helena, parece ter herdado naturalmente a paixão da avó. Aos quase nove anos, já demonstra disciplina e entusiasmo pela dança. Segundo Mara, nunca houve incentivo ou imposição. Assim como aconteceu com sua filha, o gosto pela arte simplesmente nasceu.
Além da disposição que chama atenção por onde passa, Mara também é lembrada pela elegância e pelo cuidado com a aparência. Mas ela garante que o verdadeiro segredo da juventude está longe dos tratamentos estéticos.
Para ela, o autocuidado começa de dentro para fora. Manter uma rotina disciplinada, beber bastante água, cultivar bons pensamentos e tratar as pessoas com respeito são hábitos que considera muito mais importantes do que qualquer procedimento. Mais do que parecer bem, ela acredita que o essencial é estar bem consigo mesma.
Ao falar sobre os avós de hoje, Mara faz uma comparação interessante com outras gerações. Se antes era comum associar a imagem dos avós à vida dentro de casa, hoje eles estão conectados, praticam atividades físicas, viajam, aprendem coisas novas e acompanham as mudanças do mundo. Para ela, essa transformação contribuiu diretamente para uma vida mais longa e, principalmente, com mais qualidade.
A maternidade trouxe força, sabedoria e resiliência. Já a chegada das netas despertou um sentimento ainda mais profundo, que ela define como extraordinário. Um amor que acolhe, completa e renova.
Entre tantas lembranças, uma permanece viva como se tivesse acontecido ontem: o primeiro encontro com cada uma delas. O momento em que as viu pela primeira vez, as segurou nos braços e sentiu aquele cheirinho de recém-nascido tornou-se uma memória que guarda para sempre no coração.
Para Mara Dias, ser avó é experimentar a felicidade de uma forma diferente. É acompanhar uma nova geração crescer, compartilhar experiências e descobrir que o amor pode, sim, multiplicar-se.
No fim das contas, ela ajuda a derrubar um antigo estereótipo: ser avó não tem idade, nem um jeito único de viver. Pode ser dançando, ensinando, inspirando ou simplesmente abraçando. O importante é nunca perder a alegria de viver.
E, se depender de Mara, a melhor definição para essa fase da vida continua sendo uma só: extraordinária.

