Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

ter, 9 de junho de 2026

SUSTO TECNOLÓGICO

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Gilberto Jasper
_*Jornalista/gilbertojasper@gmail.com*
Todos os dias, a partir das 5h30min, começo a minha jornada. Depois de um banho, seguido da cevada de um chimarrão no capricho, pego os três jornais diários que assino. Sim, acreditem, curto a modalidade “jornal de papel”. Gosto de rabiscar, recortar trechos que inspiram minhas crônicas e outros que guardo, num acervo de recortes.

Desde cedo disparo centenas – não é força de expressão! – de mensagem por whatsapp. Isso exige uma faxina semanal nas mensagens, vídeos, fotos e cards para evitar um colapso no meu velho aparelho comprado há três anos.
Em duas semanas consecutivas tive bloqueio do whats por decisão da Meta, empresa detentora da plataforma. Explicaram que os conteúdos eram “suspeitos”. Até fiquei feliz por ser confundido com um robô, afinal, robôs não fazem aniversário. Estes bloqueios, no entanto, permitiam receber mensagens e até enviar para alguns poucos contatos.
Semana passada, porém, o bloqueio foi total: sem receber ou enviar qualquer conteúdo, fazer ou receber ligações de whats. E com a ameaça de que, “após 24h de análise, o usuário poderá ser definitivamente banido. Neste período de “jejum tecnológico” tive dois sentimentos.
A primeira reação foi de alívio. Foram 24h sem conferir se havia mensagem de chefes e colegas, não fui assediado por tentativas de golpe e fiquei sossegado. Por outro lado, o temor do banimento definitivo assombrava. É preciso reconhecer: o whats é uma ferramenta quase universal de comunicação, além de fechamento de negócios e de convivência social com colegas, amigos e familiares.
Através do SMS, antigo “torpedo” avisei a vários amigos, mas eles confessaram que o uso de artifício tão antigo soou como tentativa de golpe. Passadas 24h, tudo voltou ao normal, recuperei mensagens enviadas durante o vácuo digital e pensei: “Como seria o nosso cotidiano sem o uso do telefone celular?”. Esta, aliás, é uma indagação que os jovens costumam fazer, diante do depoimento de nós, jovens há mais tempo, dando conta que escrevíamos cartas e enviávamos fonogramas e telegramas.
“Como vocês viviam sem celular?” resume um modo de vida tecnológico que só avança. Cartões e celulares já são substituídos por relógios que carregam todas as funções, sem a necessidade de carregar uma carteira ou bolsa. E isso é só começo!

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