Sábado participei da sessão de autógrafos do livro “Crônicas para ler com calma – Volume 5”. É uma coletânea reunindo 13 escritores, quase todos veteranos jornalistas, mas também participaram uma médica, uma tatuadora, poetas e outros profissionais aficionados pela escrita. Cada participante publicou três textos de livre escolha, além de elaborar uma breve biografia.
Esta é a terceira vez que participo do projeto – duas vezes na condição de escritor e uma, na edição anterior, como responsável pela redação do prefácio. A ideia é reunir velhos amigos e novos talentos numa publicação de baixo custo.
Para baratear a ideia, não há comercialização em livrarias e mesmo pela internet. O custo da edição, incluindo correção e diagramação, registro do título e outras exigências burocráticas, é democraticamente rateado entre todos. No final do processo, cada um recebe 20 exemplares e o total arrecadado pela venda na noite de lançamento é dividido igualmente entre todos.
Olhando ao redor, enquanto recebia os amigos e caprichava nas dedicatórias, observei meus parceiros de livro. A maioria são velhos companheiros, todos oriundos da lida jornalística, forjados em redações de jornais, emissoras de rádio e TVs, muitos sobreviventes dos tempos da máquina de escrever. Muitos, depois, enveredaram pelos caminhos da assessoria de imprensa.
Depois dos autógrafos, alguns escritores permaneceram no Chalé da Praça XV, local do lançamento, localizado no coração do Centro Histórico de Porto Alegre. Fiquei pensando nas profundas modificações ocorridas no processo de criação.
A inteligência artificial, o ChatGPT e outras tantas ferramentas tecnológicas, facilitam o cotidiano dos profissionais da palavra. Confesso que nunca usei estes artifícios, mas conheço muitos colegas de atividade, da mesma faixa etária – ou seja, sessentões ou mais – que usam estes avanços com parcimônia.
“Uso a tecnologia desde sempre, mas não dispenso o fator humano, as sensações, sentimentos e o ‘molho’ de caráter pessoal que emprego em meus textos”, segredou um jornalista com mais de 50 anos de experiência, o decano dos 13 jornalistas do livro, dos quais sete são mulheres.
Todo avanço é bem-vindo, até porque não existe solução quando não existe talento, dedicação e competência com as palavras.
