Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

qua, 3 de junho de 2026

Reconhecimento da China coroa uma trajetória histórica da sanidade animal construída pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil

Crédito: Divulgação
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A decisão da China de reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa e suspender as restrições relacionadas à doença representa uma conquista histórica para a pecuária nacional. O anúncio reforça a credibilidade sanitária brasileira e abre novas oportunidades para produtores e exportadores em um dos mercados mais importantes do mundo.

Para o Rio Grande do Sul, essa conquista tem uma história longa e construída com muito esforço. Foi resultado do trabalho de produtores rurais, entidades representativas, técnicos, servidores públicos e lideranças que compreenderam, ainda há mais de duas décadas, que a sanidade animal seria um dos principais diferenciais competitivos do agronegócio brasileiro. Entre essas lideranças, merece destaque o trabalho de Ernani Polo, que atuou de forma decisiva no fortalecimento das políticas de defesa sanitária e na valorização da agropecuária gaúcha.

Tenho muito orgulho de ter participado dessa trajetória como presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Naquele período, intensificamos a participação gaúcha nos debates internacionais de defesa sanitária, retomando o protagonismo do Estado junto à COSALFA – Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa. Foram anos de articulação com os países vizinhos, buscando a unificação das estratégias de combate à doença e fortalecendo a integração sanitária do continente.

Esse trabalho ajudou a consolidar o ambiente que permitiu ao Rio Grande do Sul sediar a COSALFA e ampliar sua liderança no debate sobre sanidade animal. Mais do que participar das discussões, o Estado passou a contribuir efetivamente para a construção das soluções que hoje garantem o reconhecimento internacional da qualidade dos nossos rebanhos.

Outro marco fundamental desse processo foi a criação do Fundesa, o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal. Sua estruturação representou um avanço decisivo para o fortalecimento do sistema de defesa sanitária gaúcho, criando mecanismos permanentes de apoio, prevenção, monitoramento e resposta a eventuais ameaças sanitárias. O Fundesa tornou-se uma referência nacional e é, até hoje, um dos pilares da credibilidade conquistada pelo Rio Grande do Sul.

A conquista anunciada pela China demonstra que investir em sanidade animal é investir em desenvolvimento econômico, geração de renda, abertura de mercados e segurança para toda a cadeia produtiva. O reconhecimento alcançado agora não surgiu da noite para o dia. É fruto de décadas de planejamento, coordenação e compromisso com a excelência.

Por isso, também considero fundamental avançarmos na criação de um mecanismo nacional inspirado na experiência gaúcha. Tramita atualmente no Congresso Nacional uma proposta para a criação de um fundo nacional de defesa sanitária, inspirado no modelo do Fundesa. Sua aprovação poderá colocar o Brasil em um novo patamar de proteção sanitária, competitividade internacional e capacidade de resposta aos desafios futuros.

O anúncio da China é uma vitória do Brasil. Mas também é o reconhecimento de uma caminhada da qual o Rio Grande do Sul foi protagonista desde os primeiros debates sobre integração sanitária sul-americana. Tenho orgulho de ter contribuído para esse processo, ajudando a construir instrumentos e políticas que hoje fortalecem a produção agropecuária e ampliam a presença brasileira nos mercados internacionais.

Jerônimo Goergen

NO AR
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