Por: Gilberto Jasper
Jornalista/gilbertojasper@gmail.com
Na semana passada, notícia cuja confirmação não consegui encontrar, dava conta da disposição do Banco Central em extinguir o “dinheiro em papel” (e moeda), diante do sucesso do PIX. Se isso for realmente for verdade, a decisão não causa surpresa alguma.
Além desta exitosa invenção brasileira, em que basta possuir telefone celular para a utilização, os pagamentos do dia a dia são feitos com uso de cartão de crédito e débito, além de relógios de pulso, equipamento moderno que reúne as principais funções necessárias ao cotidiano.
A verdade é que o dinheiro, como possibilidade de pagar despesas e fazer investimentos, está cada vez mais escasso, seja física ou virtualmente. Conforme o vernáculo, “dinheiro é qualquer item ou registro aceito em uma sociedade para pagar por bens, serviços e quitar dívidas. Mais do que cédulas ou moedas físicas, ele funcio-na como uma relação de confiança”. Ganhar dinheiro é cada diz uma tarefa mais árdua, injusta e distante da maioria dos brasileiros.
Voltando ao “dinheiro de papel” é cada vez mais raro encontrar pessoas que carregam cédulas ou moedas. Em Porto Alegre, o transporte coletivo ou individual era um dos espaços sagrados para este tipo de pagamento. A modernidade, no entanto, introduziu uso de cartões, tanto para ônibus quanto para as lotações. Esta última modalidade, que dá os últimos suspiros antes da extinção, adotou, ainda, o emprego de cartões de crédito e débito, além do pagamen-to com PIX.
Em modalidades de transporte mais seletivas – como Uber – raros motoristas aceitam dinheiro vivo. Risco de assaltos e a dificuldade para o troco são obstáculos para manter esta tradição de décadas. Inclusive os táxis relutam em receber cédulas devidos à questão de segurança. Aliás, esta modalidade se reinventou, acei-tando cartões e PIX e retorna com força, deixando de ser um mode-lo usado apenas por idosos.
A tecnologia transforma todos os segmentos de atividade. O uso do dinheiro é onipresente. Estímulos não faltam. Além dos apelos publicitários tradicionais, hoje temos esta verdadeira praga que são as bets, o vício do jogo que oficialmente é crime. Mas é estimulado, inclusive pelo governo federal, com infindáveis jogos através da Caixa Federal.
