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sex, 12 de junho de 2026

Governo tenta barrar securitização e reacende embate com o agro: “A verdadeira pauta-bomba é abandonar quem produz”, diz Zucco

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A aprovação da securitização das dívidas rurais pelo Senado Federal marcou um dos momentos mais importantes dos últimos anos para o setor agropecuário brasileiro. A proposta, que cria mecanismos de financiamento de longo prazo para a reestruturação das dívidas dos produtores rurais, foi recebida como uma esperança por milhares de agricultores que enfrentam uma sequência de crises provocadas por estiagens, quebras de safra e eventos climáticos extremos.

Agora, a atenção do setor se volta para a Câmara dos Deputados, onde a matéria precisará ser novamente analisada após as alterações promovidas pelos senadores. Nos bastidores de Brasília, porém, cresce a preocupação diante das articulações do governo federal para impedir o avanço da proposta.

Para o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), um dos principais defensores da securitização no Congresso Nacional, a resistência do Planalto revela um distanciamento da realidade vivida por quem produz no campo.
“Chamar a securitização de pauta-bomba é desconhecer completamente a realidade de quem produz e sustenta a economia brasileira. Não estamos falando de perdão de dívida, nem de dinheiro dado. Estamos falando de financiamento de longo prazo para que milhares de produtores rurais possam reorganizar suas finanças, honrar seus compromissos e voltar a produzir alimentos para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

Segundo Zucco, o projeto é uma resposta necessária à situação excepcional enfrentada pelos produtores gaúchos e de diversas regiões do país.
“No Rio Grande do Sul, além da maior tragédia climática da nossa história, os produtores vêm acumulando prejuízos de anos de estiagem, perdas de safra e aumento dos custos de produção. Muitos estão à beira do colapso financeiro. E ainda temos um drama adicional: mais de 40 produtores tiraram a própria vida pela completa falta de sensibilidade do governo Lula. A securitização não é um benefício. É uma ferramenta de recuperação econômica.”

O parlamentar também rebate a narrativa de que a medida representaria um impacto fiscal descontrolado para o país.
“A verdadeira pauta-bomba não está no campo. A verdadeira pauta-bomba é o desequilíbrio fiscal provocado por um governo que aumentou gastos, ampliou despesas sem planejamento, acumula sucessivas crises de gestão e não consegue apresentar um projeto consistente de crescimento para o Brasil. Pauta-bomba são os escândalos que precisam ser investigados, os rombos nas estatais e a incapacidade de controlar as contas públicas.”

Zucco lembra que o próprio governo federal criou programas de renegociação de dívidas para diferentes setores da sociedade e questiona por que o mesmo tratamento não pode ser concedido aos produtores rurais.
“O governo criou o Desenrola para ajudar milhões de brasileiros a reorganizarem suas finanças. Criou linhas de crédito e programas de apoio para diversos segmentos da economia. Quando chega a vez do setor produtivo, especialmente do agro, passa a chamar de pauta-bomba. Isso não é coerência.”

Na avaliação do deputado, a securitização pode ser comparada a um grande programa de recuperação financeira voltado ao campo.
“O que estamos propondo é uma espécie de Desenrola para quem produz, gera empregos, arrecada impostos e sustenta a economia dos municípios. Não é anistia. Não é perdão. É uma oportunidade para que o produtor volte a ter capacidade de investimento, mantenha sua atividade e continue contribuindo para o desenvolvimento do país.”

O parlamentar afirma que a rejeição à proposta causa estranheza justamente por atingir um dos setores mais importantes da economia nacional.
“O produtor rural não está pedindo privilégio. Está pedindo condições para continuar trabalhando. Fica difícil não enxergar uma enorme má vontade contra o agro brasileiro quando se tenta impedir uma medida que busca preservar a produção, proteger empregos e garantir a sobrevivência econômica de milhares de famílias.”

Para Zucco, os efeitos da securitização vão muito além das porteiras das propriedades rurais.
“Quando um produtor quebra, não é apenas uma fazenda que fecha as portas. Perdem os municípios, perdem as cooperativas, perde o comércio local, perde a indústria e perde a arrecadação. O agro movimenta cadeias inteiras da economia brasileira.”

O deputado conclui afirmando que a mobilização seguirá forte até a votação definitiva da proposta na Câmara.
“Quem produz não quer favor do governo. Quer apenas condições para continuar trabalhando. Defender a securitização é defender empregos, arrecadação, produção de alimentos e desenvolvimento. O verdadeiro custo para o Brasil seria abandonar o produtor rural à própria sorte. Essa, sim, seria uma pauta-bomba para o país.”

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