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ter, 9 de junho de 2026

DAE esclarece procedimentos em casos de vazamento oculto

Autarquia afirma que aumento na fatura pode ter diferentes causas e diz que vazamentos após o hidrômetro são de responsabilidade do proprietário

Crédito: Manuelly Ribeiro
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O chamado “vazamento oculto” voltou ao centro do debate público após uma série de reclamações de consumidores sobre contas de água com valores considerados excessivos. Durante entrevista ao programa Conversa de Fim de Tarde, desta segunda-feira, 9, representantes do Departamento de Água e Esgotos (DAE) e do Poder Executivo, detalharam como funciona a análise desses casos e quais critérios são utilizados para conceder ou negar revisões de fatura.

Segundo o diretor-presidente em exercício do DAE, Leandro Soares, uma conta elevada não está necessariamente relacionada a um vazamento oculto. Ele explicou que existem três fatores que costumam gerar aumentos expressivos no consumo registrado: a presença de ar na rede, a substituição de hidrômetros antigos e os próprios vazamentos não visíveis nas instalações internas dos imóveis.

De acordo com o diretor, muitos hidrômetros antigos registraram consumo abaixo do real. Com a substituição desses equipamentos por modelos mais modernos, alguns consumidores passaram a perceber um aumento nas contas, não necessariamente porque passaram a gastar mais água, mas porque a medição passou a ser mais precisa.

Quando o usuário suspeita de vazamento oculto, o procedimento é formalizar um pedido de revisão junto ao DAE. A autarquia realiza uma vistoria por meio de um fiscal, que verifica a existência de consertos, indícios de vazamento e demais elementos que possam justificar o pedido. Fotografias e outros documentos apresentados pelo consumidor também podem ser considerados durante a análise.

Leandro afirmou que uma das verificações recomendadas aos moradores é registrar duas fotos do hidrômetro: uma antes de dormir e outra ao acordar. Caso haja movimentação do equipamento durante a madrugada, sem consumo aparente de água, isso pode indicar a existência de vazamento na rede interna do imóvel.

Os números apresentados pelo DAE mostram que a maioria dos pedidos continua sendo aceita, embora o percentual de indeferimentos tenha aumentado nos últimos anos. Em 2021, apenas 5% dos 624 processos analisados foram negados. Já em 2024, o índice chegou a 26%, enquanto em 2026, até o momento da entrevista, 21 dos 83 pedidos protocolados haviam sido indeferidos, o equivalente a 28,8%. Segundo a autarquia, os pedidos são negados quando não há elementos que comprovem a existência de vazamento oculto ou quando o aumento do consumo pode ser atribuído a outros fatores.

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a responsabilidade sobre a rede hidráulica interna. O procurador-geral do município, Felipe Vaz, destacou que a manutenção e os reparos em tubulações localizadas após o hidrômetro são atribuições do proprietário do imóvel. Segundo ele, a legislação e entendimentos judiciais apontam que a companhia de abastecimento não pode ser responsabilizada por problemas existentes dentro das residências.

A discussão também envolveu a proposta apresentada na Câmara de Vereadores para ampliar as obrigações do DAE em casos de vazamento oculto. Representantes do governo municipal manifestaram preocupação com dispositivos que poderiam transferir à autarquia a responsabilidade de localizar vazamentos em áreas privadas, algo que consideram de difícil execução.

Durante a entrevista, o DAE reconheceu que houve falhas de comunicação com a população e afirmou que pretende aprimorar o atendimento e os esclarecimentos relacionados aos pedidos de revisão de contas.

Um dos pontos enfatizados pelos gestores é que, quando o vazamento é comprovado e a água perdida não chega ao sistema de esgoto, existe a possibilidade de revisão da cobrança referente ao tratamento de esgoto, conforme entendimentos judiciais já aplicados pela autarquia.

Ao final da entrevista, Leandro Soares reforçou que casos com consumos considerados extremamente fora do padrão são tratados de forma diferenciada e merecem análise específica. Segundo ele, situações em que uma residência apresenta histórico de baixo consumo e registra aumento repentino e desproporcional costumam receber atenção especial durante a avaliação técnica.

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