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ter, 12 de maio de 2026

Ypê aguarda decisão da Anvisa sobre suspensão de produtos de limpeza

Crédito: TVT News
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A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve decidir nesta quarta-feira, 13, se mantém ou revoga a suspensão da fabricação e comercialização de lotes de produtos da marca Ypê. A medida havia sido determinada após uma inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da empresa, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.

O recurso administrativo apresentado pela fabricante suspendeu temporariamente os efeitos da decisão até a análise definitiva da agência reguladora. Segundo a Anvisa, a reunião colegiada deve definir se os lotes citados continuarão suspensos ou se a comercialização poderá seguir normalmente.

Durante a fiscalização, técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo apontaram falhas consideradas graves em diferentes etapas do processo produtivo. Entre os problemas identificados estão marcas de corrosão em equipamentos, falhas nos sistemas de garantia da qualidade e irregularidades no armazenamento dos produtos.

O relatório da inspeção também aponta resultados fora da especificação microbiológica entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Conforme o documento, foram detectados testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa em 80 lotes de produtos acabados. Segundo os fiscais, esses lotes não teriam sido reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados aguardando definição da empresa.

O alerta sanitário envolve lotes de lava-louças, lava-roupas líquido e desinfetantes com numeração final 1. De acordo com a Anvisa, a presença de bactérias em produtos de limpeza pode representar riscos à saúde, principalmente para idosos, crianças, pessoas imunossuprimidas e pacientes com comorbidades. Entre os possíveis efeitos estão infecções na pele, nos olhos e problemas respiratórios.

O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo informou que mantém a avaliação técnica sobre o risco sanitário e orientou consumidores a não utilizarem os produtos incluídos na medida. A recomendação também foi direcionada a supermercados e estabelecimentos comerciais, que devem retirar os lotes das prateleiras.

Conhecido nacionalmente como Dr. Bactéria, o biomédico Roberto Figueiredo comentou o caso em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha. “É uma bactéria que está normalmente no ambiente, é do tipo oportunista. Ela está esperando abaixamento da nossa resistência para poder dar contaminação”, afirmou nesta segunda-feira, 11.
O biomédico explicou, ainda, que a contaminação pode ter ocorrido em diferentes etapas da produção.

“O detergente não foi feito para matar bactéria. Então, é incorporado uma quantidade de princípio ativo que faz com que não haja crescimento de bactérias no produto. O que pode ter acontecido é uma ausência desse princípio ativo.”
Ele destacou que a bactéria pode ter sido introduzida por meio da água utilizada na fabricação, durante o envase ou até no armazenamento dos produtos.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Ypê informou que o recurso apresentado busca reforçar os compromissos assumidos pela empresa no plano de ação e conformidade, além de fornecer novos esclarecimentos técnicos à Anvisa. A empresa também informou que a unidade permanece com a produção paralisada desde a última quinta-feira para acelerar as adequações solicitadas pela agência reguladora.

Com o recurso administrativo em andamento, os produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes seguem autorizados para fabricação e comercialização até a decisão final da Anvisa. A empresa declarou ainda que continuará em diálogo permanente com o órgão regulador em busca de uma solução definitiva.

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