Duas bombas semióticas dão novos significados aos termos da disputa eleitoral. Refiro-me ao envolvimento, agora transparente, do Senador Ciro Nogueira no caso Master, qualificado por Haddad como o maior escândalo financeiro de todos os tempos (em nosso país); e refiro-me também à reunião do Presidente Lula com o Presidente Trump, num encontro histórico dos dois maiores Chefes de Estado das Américas, representando diferentes projetos de nação, em circunstâncias de grandes mutações geopolíticas mundiais. Lula não é Chamberlain, é muito maior e muito mais digno que ele; Trump é um Hitler não realizado, retido pela China e pelo que resta das instituições democráticas do mito dos “pais fundadores”. Os eventos que abrem este texto, todavia, tem força para colocar em crise o crescimento da extrema direita no país mais forte, econômica e politicamente, da América Latina e podem também bloquear as possibilidades eleitorais do Senador Flavio Bolsonaro, desestabilizando a sua posição de “renovador” do bolsonarismo, já em estado de encarceramento generalizado. Já vi, numa rápida leitura da manhã, que a maioria da imprensa hereditária (ou tradicional) vai tentar “naturalizar” o que está acontecendo, como se esses dois petardos de ressignificação da política nacional fossem apenas eventos normais, no percurso das duas principais candidaturas à Presidência da República. Não são. Explico-me. Primeiro, a reunião Trump-Lula redesenha o conceito de “traição à pátria”, que sempre está em jogo nas novas definições estratégicas imprimidas pelo poder global do capital. E o resultado da visita de Lula `a casa grande, demonstra que o império deserda – sempre que necessitar – os traidores locais, dos países que pretende sejam as suas colônias, tratando-os como servos de gleba, que a política imperial-colonial usa e pode jogá-los no lixo, quando quiser. Ora, Trump não trai a natureza colonial-imperial da sua grande nação (ao contrário defende o seu país), ao mesmo tempo que torna irrisórios os pequenos traidores daqueles países que ele considera o seu quintal colonizado, porque sabe que eles estarão disponíveis para o seu comando, quando necessitá-los. De outra parte o Brasil deu uma demonstração clara que sabe tratar com o gigante imperial, para defender os seus interesses nacionais, sem usar de arroubos retóricos nacionalistas que não teria condições de manter no terreno de uma disputa militar. Mas o Brasil, através da voz de Lula, deixou claro o recado que a nossa soberania é inviolável: manteve-se “grande” na disputa estratégica com um “grande” Império que, embora decadente, está muito longe de uma crise final. Segundo: se ficou claro, como significado, que os traidores locais não valem nada para Trump – nem que eles propaguem a necessidade de uma invasão militar americana contra o seu próprio país – o envolvimento grave do Senador Ciro Nogueira no caso Master, liga diretamente a Chapa de Flávio Bolsonaro ao maior escândalo financeiro de todos os tempos. O que, aliás, não foi propriamente uma surpresa, mas uma evidência – quando passa por uma confirmação indesmentível – se torna um fato histórico universal.
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