Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 9 de maio de 2026

Maria Cabrera e a resposta para o futuro

Duas Décadas Depois

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Aos 41 anos, a uruguaia que estampou as páginas deste jornal como mãe adolescente em 2005 reflete sobre os desafios de crescer junto com os filhos e o novo capítulo como empreendedora na Fronteira.

Em maio daquele ano, os leitores conheciam a história de uma jovem de 20 anos que, ainda aos 15, precisou trocar a festa de debutante pelas alianças e fraldas. Hoje, em 2026, Maria Cabrera não é mais aquela menina insegura que escondia a barriga por medo dos julgamentos. Mãe de três filhos, ela olha para trás com a certeza de que a maternidade precoce não foi um limite, mas um desvio que a levou a descobrir uma força que ela desconhecia.

A rapidez do amadurecer

Maria recorda que a transição foi abrupta. “Ninguém te fala da rapidez com que você tem que amadurecer. Um dia eu estava saindo da minha festa de 15 anos; poucos meses depois, estava me casando e, logo em seguida, com um bebê nos braços”, conta. O medo e a incerteza eram constantes, especialmente o receio do “que dirão”.

A ficha, segundo ela, só caiu realmente após o nascimento da primeira filha, Clara Romina, hoje com 25 anos. “Foi quando a tive nos braços que disse: ‘Meu Deus, agora me ajuda porque preciso muito de Ti’. Fui aprendendo no erro e no acerto”.

O reencontro como mulher

Após duas décadas dedicadas integralmente aos filhos, Maria vive agora um momento de redescoberta. “Só agora, após 25 anos de ser mãe pela primeira vez, estou começando a ser algo que é mais do que ser mãe”, revela. Ela descreve este processo de retomar gostos, ritmos e amizades próprias como um desafio diário e complexo, mas necessário.

Empreendedorismo e identidade na Fronteira

A busca pela independência econômica levou Maria a empreender. O que começou como uma necessidade,  já que a faculdade foi postergada para que ela pudesse cuidar da filha transformou-se em paixão. Hoje, ela comanda um negócio de Cafés da Manhã Artesanais, unindo a gastronomia à criação de memórias afetivas.

Para Maria, empreender e ser mãe jovem guardam semelhanças: “É um caminho que você traça sozinha. Ninguém mais além de você pode fazê-lo. É repleto de frio na barriga, mas é inexplicavelmente bonito”.

Sua história segue profundamente ligada à união entre Sant’Ana do Livramento e Rivera. Foi em Livramento que ela ouviu o coração da primeira filha pela primeira vez e onde realizou sua primeira entrega como empreendedora. “Somos irmãos de pais diferentes”, diz ela sobre o vínculo único da fronteira que a abraçou.

Um recado para o futuro

Ao olhar para a Maria de 2005, ela deixa um conselho para as jovens que hoje enfrentam o mesmo susto: “Que você não se define por esse momento. Ser mãe jovem não fecha portas, muda o caminho. Esse filho pode ser sua razão, não o seu limite”.

 

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