Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 16 de maio de 2026

Febre das figurinhas da Copa do Mundo lota a Banca do Bocha

No centro da cidade, o estabelecimento centraliza colecionadores locais e uruguaios que buscam preencher as páginas do álbum de 2026

O jornaleiro Maureci Cavalcanti, o “Bocha”, em sua banca na Praça José Bonifácio | Crédito: Arquivo/AP
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Neste sábado, 16, nem mesmo a tarde quente de outono inibiu o público. O entorno da Praça José Bonifácio teve sua rotina alterada por dezenas de pessoas que se reuniram munidas de listas de números e blocos de figurinhas para troca. Em período de Mundial, a dinâmica estabelece a banca como principal referência comunitária.

O fluxo de pessoas transforma o espaço público em um dinâmico ponto de interação e comércio, reunindo desde crianças acompanhadas por familiares até adultos focados em concluir o álbum. Entre a abertura de pacotinhos e a conferência dos cromos, os colecionadores adotam estratégias próprias para gerenciar as repetidas. É o caso de dois irmãos que decidiram compartilhar o mesmo exemplar e, acompanhados da mãe, seguiam em busca de novos pacotes para reduzir o grande volume de números faltantes.

A busca pelos principais atletas da Seleção Brasileira mobiliza diferentes perfis. Poucos metros adiante, um colecionador exibia uma folha com anotações detalhadas para riscar os números de forma sequencial. Ele conta que este já é o segundo álbum que está prestes a completar nesta temporada, restando apenas três figurinhas. O morador relata que a atividade trouxe de volta um hábito de sua infância.

No centro dessa engrenagem está o jornaleiro Maureci Cavalcanti, o “Bocha”, comerciante que atua há mais de duas décadas no local. Atrás do balcão, ele destaca o forte impacto das vendas, classificando o momento como um verdadeiro “oásis” diante da intensa procura do público pelas figurinhas.

Na tabela de custos atualizada para o mercado local, o álbum tradicional em brochura é comercializado a R$ 24,90, formato que costuma atrair o público geral e famílias. Cada envelope com cinco figurinhas é vendido pelo valor regular de R$ 7,00.

Para atender aos colecionadores focados na conservação do material a longo prazo, há também a previsão de abastecimento de edições especiais em capa dura, com novos lotes previstos para as próximas manhãs. Paralelamente, o mercado informal de cromos de edições anteriores, como os de 2018 e 2022, ocorre sob consulta e negociação direta entre os participantes na praça.

A posição geográfica de Livramento reflete-se na forte presença de moradores de Rivera. O espanhol e o português misturam-se na praça à medida que as listas são checadas. Sentados nas proximidades da banca, os uruguaios Agustín Rodríguez e Edgardo Caño dividiam montes de repetidas e avaliavam as seleções do torneio. Agustín comentou que ainda lhe faltam várias figurinhas do Uruguai e também do Brasil.

A análise do campeonato mundial seguiu a perspectiva dos torcedores da fronteira. Edgardo projetou os seus favoritos: “Eu gostaria que o Uruguai ganhasse, mas acho que a Argentina chega… e o Messi sai bicampeão. Hoje em dia, os favoritos seriam da Europa: França, Espanha e Inglaterra. E aqui da América, seriam Brasil e Argentina, praticamente”, aponta.

Além do aspecto do colecionismo e do futebol, a atividade é avaliada sob uma perspectiva social. Uma avó que acompanhava os netos nas trocas resumiu a relevância da ocupação do espaço público, destacando que a atividade é muito positiva para a juventude por promover a interação social e reduzir o tempo excessivo de uso dos celulares.

A atividade na Praça José Bonifácio também apresenta núcleos de organização mais sistemática. Próximo aos canteiros, os colecionadores Robert e Cristian manuseavam volumes expressivos de cromos. Robert revelou que o grupo já acumulava cerca de 1.500 figurinhas repetidas, mas que já havia conseguido completar a seleção brasileira. Para agilizar o atendimento aos demais colecionadores, eles utilizavam saquinhos plásticos separados por países.

A procura estende-se também para além do ano vigente. Em mesas improvisadas, colecionadoras como Brenda disponibilizam materiais de Copas passadas, atendendo quem deixou lacunas em aberto em anos anteriores. Ela aponta que ainda há estoque considerável de itens de 2018 e reforça que o comércio na fronteira é favorecido pela convivência próxima entre as duas populações.

Ao final do dia, as pastas são recolhidas e as anotações atualizadas para a jornada seguinte. A Praça José Bonifácio consolida-se, assim, como o ponto de encontro geográfico onde a comunidade binacional centraliza o andamento de suas coleções.

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