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qua, 15 de abril de 2026

Violência contra a mulher: acolhimento, prevenção e reeducação marcam debate no Jornal da Manhã

Crédito: Divulgação
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Por: Litiele Caetano

A violência contra a mulher ainda é uma das grandes problemáticas da sociedade brasileira. No RS, e em Sant’Ana do Livramento, o enfrentamento tem ganhado novos contornos com ações que vão além do acolhimento às vítimas. Esse foi o tema da participação de Viviane Viegas, secretária adjunta da Secretaria da Mulher do Rio Grande do Sul, Melina Lemos, coordenadora do Centro de Referência da Mulher (CRM), e da psicóloga Éden Bijoski, durante o Programa Jornal da Manhã.

Viviane destacou que a pauta das políticas públicas voltadas às mulheres é prioridade máxima do governo estadual. No entanto, ela reforçou que o trabalho tem avançado também em uma frente considerada estratégica: a atuação com homens autores de violência. “O Rio Grande do Sul é pioneiro em soluções importantes e práticas”, afirmou, ao citar dados que indicam a efetividade do Grupo Reflexivo de Gênero (GRG), cujos participantes, segundo ela, apresentam baixos índices de reincidência. A iniciativa tem base justiça restaurativa, que desde 2011 reconhece a necessidade de incluir os autores de violência no processo de transformação.

O GRG, desenvolvido em parceria com o Poder Judiciário, completa um ano de atuação em Livramento no próximo dia 13 de maio. A iniciativa busca promover a reeducação de homens que cometeram violência e estão sob medida protetiva, atuando diretamente nas causas do comportamento agressivo.

Durante a entrevista, Melina Lemos chamou atenção para um ponto que ainda gera equívocos: a violência não atinge apenas mulheres em situação de vulnerabilidade social. “A principal característica dessas mulheres, muitas vezes, é a vergonha da exposição”, explicou. Segundo ela, esse sentimento acaba dificultando a denúncia e o rompimento do ciclo de violência.

No CRM, o atendimento é multidisciplinar e voltado à garantia de direitos. A estrutura conta com advogado, psicóloga e assistente social, que realizam desde o acolhimento inicial até os encaminhamentos necessários. A assistente social, por exemplo, atua diretamente na realidade dessas mulheres: realiza visitas, verifica a inserção em programas governamentais, auxilia na busca por trabalho e garante que os filhos tenham acesso à escola. Mas o enfrentamento à violência, como pontuaram as entrevistadas, não pode se limitar apenas ao apoio às vítimas. É nesse contexto que entra o GRG. “A gente trabalha o grupo das mulheres, elas precisam se reerguer, mas e os homens?”, questionou a coordenadora, ao explicar a importância da reeducação dos agressores.

A psicóloga Éden Bijoski relatou que muitos homens chegam aos encontros carregando sentimentos de ira e resistência. O programa prevê seis encontros obrigatórios, nos quais são trabalhadas questões como responsabilidade, empatia e controle emocional.

Os números reforçam os resultados positivos: em um ano, 348 ofensores foram atendidos pelo grupo. Em 2026, foram registrados 165 casos com medida protetiva, mas, entre os quase 350 participantes do GRG, apenas cinco voltaram a cometer violência. Para Éden, os dados evidenciam um ponto essencial: a mudança é possível. “As pessoas mudam, desde que elas queiram e tenham ajuda”, afirmou.

“O trabalho do CRM é um trabalho de formiguinha, que a gente se dedica 100%”, destacou Melina, reforçando a importância do diálogo e da construção de confiança com as mulheres atendidas. Ela também fez um alerta importante: não é necessário que a mulher tenha sofrido agressão física para procurar o serviço.

O Centro de Referência está disponível inclusive para orientar e ajudar a identificar situações de violência, muitas vezes silenciosas, que passam despercebidas. O contato com o CRM pode ser feito pelo telefone (55) 98429-2083, canal direto para acolhimento, orientação e encaminhamento.

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