Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 25 de abril de 2026

Sul da Bahia enfrenta crise fundiária com mais de 100 processos por invasões de terra

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O extremo sul da Bahia vive um cenário de crescente insegurança jurídica no campo. Atualmente, 113 processos relacionados a invasões de propriedade rural estão em andamento, evidenciando o aumento dos conflitos agrários na região.

De acordo com Mateus Bomfim, presidente da Agronex (Associação do Agronegócio do Extremo Sul da Bahia), a situação atingiu um nível crítico. A entidade, que representa produtores da região, vem há anos denunciando a escalada da violência no campo e a fragilidade na garantia do direito de propriedade.

*Agronex denuncia insegurança jurídica recorrente*

Como porta-voz da Agronex, Bomfim afirma que os produtores enfrentam um ambiente de incerteza, marcado por invasões, destruição de patrimônio e ausência de respostas rápidas do poder público.
“Há anos alertamos para o agravamento desse cenário. Quando não há uma resposta efetiva da Justiça, o problema se perpetua e se agrava”, destaca.

Segundo a entidade, os conflitos não são pontuais, mas estruturais, refletindo falhas na condução de processos de reintegração de posse e na responsabilização por atos criminosos.

*Morosidade judicial e falta de ação efetiva*

Produtores relatam que decisões judiciais demoram a ser cumpridas, enquanto ocorrências de invasão se multiplicam.
Em alguns casos, propriedades já foram alvo de ações repetidas sem solução definitiva. Além disso, há críticas quanto à atuação de órgãos responsáveis por investigações e operações no campo, consideradas insuficientes diante da dimensão dos conflitos.

A situação se agrava porque, enquanto os processos se arrastam, a produção continua sendo explorada ilegalmente dentro das áreas invadidas. Há casos de propriedades de café cuja colheita vem sendo realizada ano após ano pelos invasores. Em áreas de eucalipto, produtores denunciam que cerca de 80% da produção já foi roubada, com a saída diária de várias carretas carregadas com madeira retirada ilegalmente das fazendas.

*Disputas fundiárias ampliam tensão*

Parte dos conflitos envolve áreas reivindicadas como territórios indígenas, o que adiciona complexidade jurídica ao cenário. A Agronex aponta falta de clareza e segurança nos processos de demarcação como fator que contribui para o aumento das disputas.

*Impactos no agronegócio e na economia regional*

A crise já gera reflexos diretos na economia do extremo sul da Bahia:

– Queda na produção agrícola
– Danos a propriedades e infraestrutura
– Roubo continuado de safras e produção florestal
– Redução de investimentos
– Aumento da insegurança no meio rural

Segundo a Agronex, o ambiente atual compromete não apenas os produtores, mas toda a cadeia produtiva da região.

*Setor cobra resposta das autoridades*

Diante do avanço dos conflitos, a entidade cobra atuação mais firme de instituições como o Judiciário, forças de segurança e órgãos fundiários.

A principal demanda é por celeridade nos processos, cumprimento de decisões judiciais e investigação efetiva dos casos.

*Crise expõe impasse estrutural*

Para a Agronex, o cenário atual não é episódico, mas resultado de um problema estrutural que se agravou ao longo dos anos. Sem medidas concretas, a tendência é de continuidade — ou até intensificação — dos conflitos no campo, com prejuízos crescentes à produção, à segurança no meio rural e à economia regional.

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