Sob o teto do Centro de Tradições Gaúchas Fronteira Aberta, o sábado, 11, foi de resgate histórico: a primeira edição do Canto ao Pampa recolocou a Fronteira da Paz no mapa da música nativista. O palco, que deu voz ao sotaque e ao cotidiano da campanha em doze composições inéditas, consagrou a música “Atulhado” como a grande vencedora do festival, garantindo o primeiro lugar e o troféu de Letra Mais Campeira.
O evento, que contou com o financiamento das leis de incentivo à cultura (Rouanet e Aldir Blanc), nasceu de um desejo antigo da entidade de preencher o vazio deixado por festivais históricos como o Martín Fierro.
Para o patrão do CTG Fronteira Aberta, Luiz Bottino, a realização do festival foi a materialização de um esforço coletivo para valorizar Livramento como um manancial de talentos. “O Canto ao Pampa é um objetivo, um sonho que a gente tinha: fazer um festival que falasse da nossa pampa, da nossa campanha gaúcha. Sant’Ana é um celeiro de músicos e escritores”, destacou Bottino.
O dirigente já projeta voos mais altos para as próximas edições, visando expandir a infraestrutura para comportar o público crescente. “A gente almeja que o Canto ao Pampa seja um desses festivais renomados do nosso estado. Quem sabe amanhã possamos desenvolvê-lo em um ginásio ou no Parque Internacional”, completou.
A tarefa de selecionar as músicas finalistas não foi simples. Com a regra de apenas uma composição por autor, o festival recebeu mais de cem inscrições, exigindo um critério rigoroso da comissão julgadora, formada por nomes de peso como Cristiano Quevedo, Rogério Villagran, Maria Alice, Analise Severo e Jean Kirchhoff.
Para Rogério Villagran, o diferencial desta primeira edição foi a fidelidade à alma da fronteira. “Aqui na região é notável que se vai ter composições com essa identidade mais fronteiriça, com temas que falam mais de campo, da nossa rotina campeira. O festival forja sua identidade a partir desse cuidado na triagem”, explicou o jurado.
A cantora Maria Alice, natural de Livramento e também integrante do júri, ressaltou a importância afetiva do evento. “Me enche de orgulho fazer parte de um marco tão importante para a minha cidade. A comunidade precisa abraçar esse festival para que ele cresça e continue valorizando o trabalho dos compositores de todo o estado”, afirmou.
Para os artistas, o Canto ao Pampa representou mais do que uma disputa por troféus. Cristiano Quevedo, que além de julgar realizou o show de encerramento, definiu o espírito do encontro como um ganho coletivo para a cultura latino-americana. “Avaliar a arte sempre é muito difícil. A gente está ali para escolher a música que vai representar o Canto ao Pampa durante sua trajetória. Um vai levar o troféu para casa, mas ninguém perde, todos nós ganhamos”, pontuou Quevedo.
O público, que teve entrada gratuita, acompanhou uma mescla de ritmos que culminou na entrega das premiações nas primeiras horas de domingo. Além de “Atulhado”, destacaram-se composições como “Florecita del Camalote” (2º lugar e Melhor Melodia) e “Me dá uma mão” (3º lugar e Melhor Arranjo).
O sucesso da primeira edição deixa um recado claro: a música nativista encontrou, novamente, um porto seguro nas coxilhas de Sant’Ana do Livramento.
Vencedores do 1º Canto ao Pampa
| Categoria | Vencedor |
| 1º Lugar | Atulhado |
| 2º Lugar | Florecita del Camalote |
| 3º Lugar | Me dá uma mão |
| 4º Lugar | Compromisso |
| Mais Popular | Um Milongão de Fronteira |
| Melhor Letra | Compromisso |
| Letra Mais Campeira | Atulhado |
| Melhor Melodia | Florecita del Camalote |
| Melhor Intérprete | Angelo Franco |
| Melhor Instrumentista | Guilherme Castilhos e Gabriel Belissaro |
| Revelação | Bruna Gonçalves |
