Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 18 de abril de 2026

Rosemeri Madrid enfrentou a leucemia e ressignificou sua trajetória com foco em autocuidado, conhecimento e gratidão

Uma segunda chance para viver

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Há histórias que não cabem apenas em palavras, elas atravessam o tempo, a dor e renascem em forma de propósito. A trajetória de Rosemeri Madrid é uma delas.

No final de 2015, a vida seguiu um rumo inesperado. Após meses buscando respostas para sintomas que não eram compreendidos, ela foi removida de Sant’Ana do Livramento para Santa Maria em estado grave. O diagnóstico veio pouco depois: leucemia mieloide aguda.

“Eu já cheguei praticamente em falência. Foram 60 dias em isolamento, sem imunidade nenhuma”, relembra. O período foi marcado por incertezas e mudanças profundas. Para se aproximar dela, qualquer pessoa precisava estar completamente protegida, em um ambiente de extremo cuidado.

Enquanto lutava pela própria vida, a rotina da família também foi transformada. Um filho pequeno, de apenas seis anos, precisou lidar com a ausência repentina da mãe. A filha, aos 16, recém-aprovada no Enem, mudou-se sozinha para estudar. O marido assumiu a condução da casa com o apoio da família. “A nossa vida virou um caos”, resume.

Mas foi também nesse cenário que nasceu uma nova forma de enxergar a vida.

Após o tratamento e a remissão da doença, Rosemeri passou a adotar uma rotina baseada no autocuidado. Hoje, define-se como uma mulher ativa, que busca manter o corpo e a mente em equilíbrio. “O câncer se torna uma sombra. A gente aprende a conviver com essa possibilidade, mas também aprende a valorizar cada dia”, afirma.

A busca pelo conhecimento sempre esteve presente em sua trajetória e nem mesmo a doença interrompeu esse caminho. Durante o período de hospitalização, concluiu uma especialização com o apoio da orientadora. Depois, seguiu para o mestrado e, posteriormente, para o doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Antes da doença, eu jamais imaginei chegar até aqui”, conta.

Foi também na sala de aula que encontrou um novo sentido profissional. Após três décadas de atuação no serviço público municipal, passou a atuar na área acadêmica, onde descobriu sua vocação. “Ali eu me encontrei”, diz.

Mais do que uma trajetória de superação, a experiência trouxe uma nova forma de viver. Rosemeri fala sobre uma “sede de vida” que passou a guiá-la. Estar com a família, viajar, viver novas experiências e valorizar o presente tornaram-se prioridades.

Essa vivência também se transformou em compartilhamento. Ao longo dos anos, participou de rodas de conversa e encontros para falar sobre prevenção, diagnóstico e enfrentamento do câncer. “É importante mostrar que não é uma sentença de morte. Existe vida depois do diagnóstico”, reforça.

Hoje, seus projetos são claros: viver o maior tempo possível com qualidade e seguir contribuindo com as pessoas ao seu redor. Pequenos gestos fazem parte desse propósito. “Às vezes é uma mensagem, um cuidado, perguntar se está tudo bem. Isso também transforma”, afirma.

A inquietude segue como característica marcante. Mesmo nos momentos de transição, novas oportunidades surgem como convites para integrar espaços acadêmicos e participar de eventos voltados à pesquisa e desenvolvimento.

Com um olhar transformado pela experiência, Rosemeri também reflete sobre o que realmente importa. “A gente aprende que tudo é muito efêmero. No instante seguinte, pode não estar mais aqui. Então é preciso valorizar o que realmente tem sentido”, diz.

Entre desafios e recomeços, sua história é marcada por resistência, aprendizado e gratidão. “Todo dia eu agradeço. Pode parecer simples, mas é isso que me mantém em movimento”, finaliza.

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