Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 18 de abril de 2026

Marizete Souza constrói trajetória marcada por resgates, cuidado e luta pela causa animal

Uma vida dedicada a quem não pode pedir ajuda

O texto abaixo está em

O que começa como um incômodo pode se tornar um propósito de vida. Foi assim com Marizete Souza, que encontrou na causa animal não apenas uma atuação, mas uma missão diária de cuidado, entrega e transformação.

Segundo ela, tudo teve início a partir de um sentimento que não conseguiu mais ignorar. “Ver um animal sofrendo e seguir a vida como se nada estivesse acontecendo deixou de ser possível. Foi ali que eu entendi que, se eu via, também era responsável de alguma forma”, conta.

O primeiro resgate permanece vivo na memória. Entre o medo e a incerteza, surgiu também a certeza de que precisava agir. “Eu não sabia direito o que fazer, mas sentia que aquele animal só tinha a mim naquele momento. Quando consegui ajudar, algo despertou dentro de mim. Foi ali que nasceu essa missão”, relembra.

Ao longo dos anos, a dor dos animais passou a ser combustível, mas é a transformação que sustenta a caminhada. Marizete descreve como recompensador acompanhar a recuperação de um animal que chega sem esperança e, aos poucos, volta a confiar e a viver. “Isso não tem preço”, resume.

A atuação na causa animal também mudou profundamente sua forma de enxergar o mundo. “Eu me tornei mais sensível, mais consciente, mas também mais forte. Aprendi sobre empatia de um jeito que ninguém ensina”, afirma. Ao mesmo tempo, reconhece que é preciso aprender a conviver com a dor sem deixar que ela paralise.

Entre os momentos mais marcantes, estão os resgates mais difíceis, aqueles em que a vida do animal está por um fio e também as despedidas. “Quando eles encontram um lar, é um misto de alegria e saudade. É saber que valeu a pena”, diz.

O que mais emociona, segundo ela, é a capacidade de recomeço dos animais. “Mesmo depois de tudo, eles ainda confiam. Eles não guardam mágoa. Isso me desmonta todas as vezes”, revela.

Mas o caminho também é desafiador. A sensação de não conseguir ajudar todos e o desgaste emocional fazem parte da rotina. “O cansaço físico passa, mas o emocional pesa. Tem dias que a gente chora, porque é impossível não sentir”, admite.

Diante de situações de abandono e maus-tratos, Marizete afirma que nunca se acostumou  e nem quer. Para ela, a dor precisa ser transformada em ação, seja por meio de denúncias, resgates ou cuidados diretos.

Hoje, sua forma de ver os animais é completamente diferente. “Eu não vejo mais apenas um animal. Eu vejo uma vida, uma história, um ser que sente”, explica.

Ela define sua missão de forma simples e profunda: “É lutar todos os dias por quem não pode pedir ajuda. É ser ponte entre o sofrimento e a esperança”.

Para Marizete, a causa animal exige mais do que amor. “É responsabilidade, é renúncia, é dor também. Mas cada pessoa pode fazer alguma coisa. Não precisa ser tudo, mas precisa ser alguma coisa”, reforça.

Ao olhar para a sociedade, ela acredita que ainda há muito a evoluir, principalmente na forma como os animais são tratados. “Enquanto forem vistos como descartáveis, o problema vai continuar. Falta consciência, educação e empatia”, avalia.

Mesmo diante das dificuldades, são as pequenas vitórias que mantêm sua força. “O olhar de um animal que foi salvo, a primeira vez que ele volta a confiar, uma adoção que dá certo… é isso que faz tudo valer a pena”, finaliza.

 

NO AR
Rádio RCC