A construção de uma nova cultura democrática está intrinsecamente ligada à transformação do pensamento coletivo e ao desenvolvimento humano, aspectos que se articulam com os paradigmas da intelectualidade. Cabe à cultura, às inovações e às tradições culturais sustentar valores sociais voltados ao engajamento público nos processos decisórios e num modo de vida conscientemente orientado. A partir dessa premissa e com o propósito de revisitar elementos constitutivos da cultura democrática, o Instituto Novos Paradigmas reuniu personalidades de destaque no cenário cultural e político nesta quarta-feira, 08, no Clube de Cultura em Porto Alegre. Estiveram presentes os cineastas Jorge Furtado e Luciana Tomasi, o escritor e professor Flávio Azevedo e o jornalista Juarez Fonseca.
“Estamos em uma encruzilhada democrática, com uma crise capitalista e moral sem precedentes. Historicamente, o desenvolvimento da cultura democrática tem oscilado entre abordagens caracterizadas por iniciativas gerenciais e institucionais, e movimentos que enfatizam a participação cívica e a responsabilidade coletiva. No entanto, estamos diante de um novo paradigma contemporâneo que sugere, para além do controle de qualidade e da gestão, é necessário fomentar a autonomia, a credibilidade (contra a desinformação) e o aprimoramento educacional e cultural baseados em valores compartilhados por toda a comunidade. Isso implica uma mudança de paradigma, e uma responsabilidade coletiva, e é isso que estamos debatendo”, explica a diretora executiva do INP, Sandra Bitencourt.
O ex-governador Tarso Genro explica a ideia de reunir esses protagonistas da cultura brasileira e gaúcha: “a escuta que o INP realiza nesta momento destina-se a apresentar subsídios aos agentes políticos, aos gestores, aos protagonistas culturais do que se classifica como da “alta cultura” e da cultura “popular”, para que este dois níveis de formulação se integrem e reciprocamente se enriqueçam na vida comum: Villa-Lobos e Martinho da Vila, para apontarmos dois grandes brasileiros da arte musical, merecem a atenção de todos que amam a arte musical, assim como merecem ser conhecidos por todos os brasileiros que compõem a nossa cultura popular-nacional, nos seus diversos âmbitos de criatividade. Plinio Marcos e Nelson Rodrigues, com suas grandezas e ironias compõem o ethos nacional e comunicam, de forma amplíssima, o que somos e o que podemos fazer, para mudarmos sempre para melhor”, conclui.
O cineasta Jorge Furtado, leu o texto “Utopia, tem, mas estamos em falta”, de sua autoria, o descrevendo como um texto cheio de dúvidas e algumas perguntas ao qual não sabe a resposta. “O que eu vou dizer aqui hoje é que nós a esquerda, estamos sem utopia, e sem utopia não dá. Não dá pra viver, não dá pra ser feliz, não dá pra fazer política. A política trata do que nós temos em comum e isso é pra nós utopia. Digo também que este ‘desmilinguir’ das utopias da esquerda passa por uma incompreensão do que representa para a maioria da população os valores básicos da utopia da direita, sintetizada no slogan fascista ‘Deus, Pátria e Família’. Digo também, que qualquer utopia que quisermos inventar pelo Brasil, ela passa pela segunda abolição da escravatura, somos o país mais racista do mundo”, afirmando que temos um objetivo comum, impedir a volta de um governo fascista.
O jornalista Juarez Fonseca, crítico de música, falou que é preciso que pré-candidatos e candidatos falem em cultura. “A gente falar em cultura é uma certa utopia, a política não fala em cultura, a política exclui a cultura. A guerra do Vietnã, a participação foi sendo reduzida pelas participações dos estudantes e da cultura, de músicos como Bob Dylan, e muitos outros”, disse, ressaltando que além de pedir manifestações culturais, é preciso ouvir os representantes da cultura.
Luciana Tomasi é a diretora da Prana Filmes, jornalista e cineasta, falou sobre soberania e democracia, e os intelectuais e a cultura nacional. “Como lutar contra aqueles que desprezam qualquer forma de arte? Existe uma grande dificuldade de acesso ao conhecimento de qualidade, que consegue elevar o nível intelectual de uma nação e chegar às novas gerações”, destacando que a organização da cultura como uma tarefa duríssima para os governos atuais. “Temos uma geração que já vem há bastante tempo sem ler livros e, consequentemente com dificuldade para escrever. Escolas públicas enfrentando dificuldades orçamentárias, com professores muito mal pagos, ajudaram muito nesta catástrofe”, afirmando que é cada vez mais raro um jovem largar seus conteúdos vazios nas redes para assistir um file, uma peça de teatro ou um musical de qualidade.
Por sua vez, o escritor e professor Flávio Azevedo, disse que vivenciou os períodos dos seminários segmentados, onde se olhava para a cultura popular de forma descentralizada. “A gente não pode ser paternalista ao dizer que o povo não pode conhecer a cultura clássica. A gente produzia eventos, a gente seguiu fazendo, chegou a era dos festivais e a gente foi compreendendo que muitos faziam arte para pagar boletos. Hoje não há um auxílio geral do Estado, não há um portal onde todos os contatos de arte existam para quem quer buscar e contratar?”, disse, reafirmando que ainda somos ineficientes nisso, mas que apesar de tudo nas administrações populares em Porto Alegre, possibilitou que a cultura respirasse e fosse pulsante na Capital do Rio Grande do Sul. “A gente viveu a utopia e não se deu conta, vivemos naquele momento”, finalizou.
Este foi o primeiro debate da série ‘Revisitando Paradigmas’.
O impacto que essa aliança, até ontem considerada como impossível, terá na base da sociedade gaúcha vai se revelar nas próximas pesquisa de opinião. A liderança do Governador Leite vem se fragilizando em função da sua oposição opaca ao extremismo de direita e pelos efeitos do seu programa de privatizações selvagens, mais próximo de um “baratilho” de fim-de-feira, do que de uma política de estado, por mais liberal que ela seja; e fragilizado, igualmente, pelo que promoveu como arrocho salarial e tgambém pela subtração dos direitos conquistados pelos servidores da Brigada Militar, da Polícia Civil e pelos demais integrantes do Serviço Público. Abriu-se um vácuo para ser ocupado pela centro-direita democrática e para um centro progressista que não seja ultraliberal! O MDB de Ulysses Guimarães, hoje, é minoritário dentro do PMDB-MDB, pois suas maiores lideranças estão paralisadas em acordos regionais, sem nexo com um projeto de nação, integradas com a direita retrógada. O PSDB perdeu o rumo que lhe oferecia a biografia de Mário Covas e se apagou na cena política nacional. Que esta aliança gaúcha em defesa do Brasil, da Democracia e do Trabalho, inspire a todos os que perderam o rumo da democracia, tentados pelo bolsonarismo e pelo ultraliberalismo, a se reencontrarem com o seu passado.
