A prevenção do câncer de colo do útero passa, antes de tudo, pelo acesso à informação e à conscientização da população sobre a importância do cuidado contínuo com a saúde. Mesmo sendo uma doença que pode ser evitada e identificada precocemente por meio de exames simples, ainda há um número significativo de casos diagnosticados em estágios avançados, muitas vezes por falta de orientação ou acompanhamento regular. Nesse cenário, profissionais da saúde reforçam que o conhecimento segue sendo a principal ferramenta para reduzir a incidência da doença e ampliar as chances de diagnóstico precoce.
De acordo com a docente do curso Técnico em Enfermagem do Senac Santana do Livramento, Carmem Paim, orientar a população sobre riscos, consequências e formas de prevenção é essencial. “Munir as pessoas com informação ainda é o melhor remédio. Uma pessoa informada entende o que pode acontecer e quais são as complicações”, afirma.
Ela explica que, apesar de ser um câncer geralmente progressivo e com possibilidade de detecção precoce, a doença ainda preocupa. “Quando o câncer de colo do útero se instala, muitas vezes a atuação da saúde é limitada, porque ele pode ser agressivo e de evolução rápida. E temos visto cada vez mais casos, inclusive em mulheres mais jovens”, alerta.
O principal causador da doença é o vírus HPV, transmitido sexualmente. Por isso, o acompanhamento regular é indispensável. “O exame de Papanicolau ainda é a principal forma de rastreamento. Ele permite identificar alterações antes que a doença se desenvolva, mas o grande desafio é garantir que as mulheres façam esse exame com regularidade”, destaca.
A docente cita ações práticas que buscam ampliar esse acesso. “Recentemente, participamos de uma ação com horário estendido até as 22h para coleta do exame, pensando em mulheres que trabalham durante o dia. Mesmo assim, tivemos 15 coletas, um número importante, mas ainda bem distante do total de mulheres que precisam desse acompanhamento”, pontua.
Além da realização de exames, hábitos de vida também influenciam no risco da doença. “Fatores como obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e alimentação inadequada aumentam as chances de desenvolvimento do câncer. A vida sexual sem proteção e com múltiplos parceiros também eleva o risco de contágio pelo HPV”, explica.
Nesse contexto, a informação precisa alcançar diferentes públicos. “É fundamental falar sobre sexo seguro com mulheres e homens. A prevenção não depende só de uma pessoa. E isso inclui também os idosos, que muitas vezes não se percebem em risco e acabam mais vulneráveis”, ressalta.
Apesar dos avanços, o tabu ainda é um obstáculo importante. “Existe uma dificuldade grande em falar sobre saúde ginecológica. Muitas pessoas evitam o tema, e isso prejudica a prevenção. Precisamos criar espaços de fala abertos e acolhedores para sensibilizar a população”, afirma.
Segundo a especialista, ações educativas têm impacto direto no comportamento das pacientes. “Já vimos casos de mulheres que foram à unidade de saúde por outro motivo e, após uma conversa na sala de espera, decidiram fazer o exame preventivo. Uma boa orientação pode, sim, mudar decisões”, observa.
A enfermagem desempenha papel central nesse processo. “É imprescindível. O enfermeiro geralmente realiza a coleta do exame, enquanto o técnico tem um contato muito próximo com o paciente, desde o acolhimento até a orientação. Essa escuta qualificada faz toda a diferença”, explica.
Mais do que procedimentos, o cuidado está na relação com o paciente. “Hoje, entendemos que o protagonista é o usuário. Cada contato é uma oportunidade de orientar, informar e prevenir. Às vezes, uma conversa ou uma escuta atenta pode mudar o futuro dessa pessoa”, completa.
Como orientação final, a recomendação é clara: manter o acompanhamento em dia e estar atento aos sinais do corpo. “Fazer exames de rotina, procurar atendimento diante de sintomas como sangramentos fora do padrão, febre sem causa aparente ou perda de peso é fundamental. Quanto antes houver investigação, maiores são as chances de prevenção ou diagnóstico precoce”, conclui.

