A partida entre Novo Hamburgo e Esportivo, válida pela 4ª rodada do Gauchão Sub-20 A1, realizada no último domingo, 12, foi marcada por um episódio extracampo que agora mobiliza as diretorias dos clubes e a Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Aos 31 minutos do primeiro tempo, o atleta Felipe Maciel, do Esportivo, denunciou ter sido alvo de ofensas racistas proferidas pelo técnico da equipe adversária.
Em entrevista exclusiva ao Jornal A Plateia, o Dr. Gilberto Maciel, advogado e irmão do atleta, relatou o sentimento da família e os próximos passos jurídicos. Segundo Gilberto, o impacto vai além das quatro linhas. “O Felipe, além de ser meu irmão, é um atleta que vem desde os seis anos de idade buscando seus sonhos na carreira esportiva. Isso, querendo ou não, prejudica ele bastante. A gente não está aqui para se vitimizar; simplesmente buscamos uma resposta positiva pelo que aconteceu com o meu irmão”, declara.
De acordo com Gilberto, a ofensa teria ocorrido de forma direta durante o jogo. Ele destaca que, imediatamente, o protocolo anti racismo foi ativado e o jogo paralisado por cerca de 40 minutos, embora a partida tenha sido retomada posteriormente com o técnico permanecendo à beira do gramado.
Para a família, a veracidade do relato de Felipe é inquestionável. “Nós viemos de uma família de origem negra e somos negros com muito orgulho. Ele é um menino trabalhador e educado. Não teria por que inventar algo desse gênero, se prejudicar ou se expor dessa maneira”, pontuou Gilberto.
Em nota, o Esporte Clube Novo Hamburgo negou as acusações, afirmando que o técnico Gott assegurou não ter proferido falas racistas. O clube ressaltou ainda que o árbitro assistente e representantes da FGF estavam próximos e “absolutamente ninguém ouviu nenhuma fala inadequada”.
Gilberto Maciel, no entanto, descreveu uma pressão sofrida pelo atleta ainda no estádio. “Soubemos que a equipe do Novo Hamburgo, através de seus assistentes, relatou ao Felipe que, se ele continuasse com o caso, poderia responder por falsa acusação de crime. Coagindo um jovem de 19 anos que está saindo da adolescência para a fase adulta, sem nenhum amparo de um familiar ali no momento”, apontou.
O Clube Esportivo Bento Gonçalves emitiu uma “Nota de Repúdio” reforçando que acredita no relato de seu atleta e que está prestando todo o suporte necessário. Já a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) confirmou que o protocolo foi seguido e que segue acompanhando o caso com seriedade.
A família agora aguarda o acesso à súmula da partida para registrar o Boletim de Ocorrência e dar início aos trâmites legais. “O que a gente quer é um ato de retratação. Que o treinador possa, ao menos, pedir desculpas e fazer algo que amenize o sofrimento que o Felipe passou. O treinador deveria ser um exemplo, um líder, e não foi o que aconteceu”, concluiu Gilberto.
O Jornal A Plateia seguirá acompanhando os desdobramentos deste caso nas esferas esportiva e judicial.
