Gilberto Jasper
_*Jornalista/gilbertojasper@gmail.com*
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“Vivi de tudo na política. Enfrentei a ditadura, presenciei a reabertura democrática, comemorei a volta do voto direto, assisti a processos de impeachments e hoje vivemos uma época de plena informação. Mas jamais imaginei chegar diante da urna eletrônica e ter que escolher entre um candidato flagrantemente condenado e solto apenas por firulas processuais e outro, desprovido de inteligência e incapaz de ser aprovado no teste psicotécnico para conseguir uma carteira de motorista. Isso em 2022”.
Aos 65 anos, graças à vida de repórter e jornalista, tive o privilégio de conviver “ao vivo e a cores” com inúmeros personagens da política gaúcha e brasileira. O autor da frase acima, que me permito omitir o nome, resume o momento lamentável histórico que se vive no Brasil.
Se há dez anos alguém dissesse que os ministros “da mais alta corte do país” bateriam boca publicamente através da imprensa, seria chamado de maluco. Por décadas foi impensável imaginar-se a possibilidade de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) estarem implicados em áudios que revelam ligações perigosas com notórios bandidos. Mas é isso que as gravações mostram sobre a proximidade de ministros indicados politicamente com o megabandido Daniel Vorcaro.
Onde foi que o Brasil se perdeu?
A impunidade, a justiça seletiva e o ativismo judicial, a busca de celebridade a qualquer custo e a proliferação de fake news – inclusive pela chamada “grande imprensa” – turbinaram o descalabro moral que torpedeia a política brasileira. Não existe diálogo, apenas agressões. Não se vê trocas de ideias, somente de ofensas.
O surgimento de novas lideranças políticas é cada vez mais raro. A promiscuidade das emendas parlamentares, o fundo eleitoral e os gastos para manter o Congresso Nacional e 39 ministérios são episódios inimagináveis num país decente, desenvolvido e digno. Democracia pressupõe compromissos sagrados, como a decência e transparência. Infelizmente hoje, os ministros do STF dispõem de armas letais para fulminar qualquer investigação.
A zona de sombras entre o público do privado de contratos milionários envolvendo escritórios de advocacia envergonha uma democracia caolha e manca. Aqui, poderosos têm instrumentos únicos para fulminar qualquer investigação e debocham dos mortais comuns. Até quando?
