Neste Dia do Trabalhador, o caderno Variedades traz uma história que une a dureza da lida diária com a leveza de quem sabe aproveitar a vida. Carlos Rodolfo Borges Ramos, funcionário da Ansus desde 2012, representa milhares de profissionais que, muitas vezes invisíveis sob seus uniformes, são os verdadeiros guardiões da saúde e da beleza das nossas ruas.
O ritmo da lida
A trajetória de Carlos no serviço público começou logo após dar baixa no Exército. Sem muitas oportunidades na cidade na época, ele encontrou no trabalho de gari sua estabilidade e, acima de tudo, seu orgulho. “Essa profissão para mim é muito gratificante. Tenho orgulho da profissão que exerço”, afirma.
Recentemente, esse orgulho ganhou as telas de milhares de celulares. Ao passar por um barzinho onde um grupo de pagode tocava, Carlos, que é conhecido pela sua comunicatividade, não resistiu: deu uma paradinha e mostrou seu talento no pandeiro.
O desafio da consciência
Por trás do vídeo alegre, existe a realidade de quem enfrenta sol e chuva. Carlos relata que, embora receba o carinho de muitos cidadãos com ofertas de café e lanches, ainda falta consciência por parte de outros.
Para este Dia do Trabalhador, ele faz um apelo que pode salvar a sua vida e a de seus colegas: o descarte correto de lixo. “Queria que as pessoas tivessem mais consciência com objetos cortantes, latas e seringas. Às vezes a gente chega correndo e não dá tempo de ver. Se a gente se machuca, quem perde somos nós.”
Dignidade acima de tudo
Para Carlos Rodolfo, um dia de trabalho perfeito é aquele em que todos terminam o serviço em segurança e voltam para o seio de suas famílias. Ele reforça que, independentemente da função, o respeito deve ser a base de tudo.
“Não é porque a gente trabalha de gari que as pessoas têm que faltar com respeito. Nosso trabalho é digno, temos carteira assinada e trabalhamos com seriedade”, pontua.
Neste 1º de maio, que o exemplo de Carlos Rodolfo nos inspire a olhar com mais empatia para quem cuida da nossa cidade. Que o som do seu pandeiro seja um lembrete de que todo trabalhador carrega, além de suas ferramentas, uma história, um talento e o direito ao reconhecimento.

