A escolha pelo Direito não foi automática, nem óbvia. Aos 17 anos, recém-formada no ensino médio, Manuela Sanches se via dividida entre caminhos completamente distintos: direito, relações públicas e hotelaria. Hoje, ela reconhece que era cedo para decidir o futuro. Mas havia sinais.
Desde criança, gostava de argumentar, de defender colegas, de comprar brigas que nem eram suas. A mãe a chamava de “advogada sem pasta”. A veia justiceira já pulsava e falou mais alto. Diferente de muitos que ingressam na faculdade pensando em concursos ou estabilidade, Manuela escolheu a advocacia de forma consciente. “Eu não fiz Direito pensando que, se nada desse certo, seria advogada. Eu escolhi ser advogada.”
Formada pela URCAMP em 2011, após uma trajetória inteira em escola pública, experiência que reforçou sua crença na educação como ferramenta real de transformação social, mergulhou em estágios que lhe permitiram conhecer diferentes áreas da profissão. Em 2012, abriu o próprio escritório, começando literalmente do zero, sem familiares na área jurídica.
O Direito Previdenciário entrou em sua vida quase como destino. Após estagiar na Procuradoria do INSS, passou a ser procurada para consultorias na área. Decidiu se especializar, concluiu pós-graduação e, aos poucos, concentrou sua atuação exclusivamente nesse ramo. Hoje, fala com paixão sobre a possibilidade de, por meio da correta aplicação da lei, resgatar a dignidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Ao longo de quase 14 anos de carreira, também escolheu contribuir com a classe. Atuou nas Comissões do Jovem Advogado e de Seguridade Social da OAB e, atualmente, ocupa o cargo de vice-presidente da subseção. Em um cenário historicamente ocupado por homens, a representatividade tem peso. Em Sant’Ana do Livramento, houve apenas uma mulher presidente da instituição. Para ela, ocupar esse espaço é mais do que conquista pessoal, é avanço coletivo.
O início da carreira, no entanto, exigiu firmeza. Jovem e mulher, sentiu que precisava provar constantemente sua competência. Questionamentos sobre idade e tempo de atuação eram frequentes, como se credibilidade tivesse prazo mínimo. A resposta foi investir ainda mais em conhecimento. “Conhecimento é patrimônio imaterial”, afirma.
A caminhada a tornou mais madura e mais humana. A advocacia a colocou diante de realidades muito diferentes da sua, ampliando sua visão de mundo e fortalecendo sua postura resolutiva diante dos problemas. Desenvolveu um olhar mais sensível no atendimento aos clientes, unindo técnica e humanidade.
Fora dos tribunais, Manu é filha do Serginho e da Ana, irmã da Carolina e da Nathália, esposa do Flávio e mãe da Mel, sua companheira de quatro patas. É dinda, tia, amiga presente. Ama viajar, gosta de festa, mas também valoriza o silêncio da casa e o convívio com a família. Erra, acerta, demora para responder mensagens, busca evolução espiritual e ainda acredita na sororidade como força transformadora.
Para meninas que sonham com a advocacia, deixa um recado direto: não desistam. Haverá desafios, preconceitos e disputas de ego. Mas seguir a própria vocação e investir em conhecimento especializado é o caminho para construir não apenas uma carreira, mas uma trajetória com propósito.
No fim das contas, a “advogada sem pasta” cresceu. E segue fazendo da profissão que escolheu um espaço de atuação firme, estratégica e, acima de tudo, humana.
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