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seg, 9 de março de 2026

Protesto marca abertura da Expodireto; produtores denunciam crise no campo e Zucco cobra securitização das dívidas

Crédito: Mateus Raugust
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A abertura oficial da Expodireto Cotrijal, realizada nesta segunda-feira (9) em Não-Me-Toque, foi marcada por um protesto contundente de produtores rurais que denunciaram a grave crise econômica enfrentada pelo campo gaúcho.

Vestidos de preto e carregando cruzes de madeira, agricultores realizaram uma manifestação silenciosa durante a cerimônia, em sinal de luto pelas mortes de produtores que, segundo lideranças do setor, tiraram a própria vida após anos de endividamento e perdas sucessivas nas safras.

No centro do protesto, um caixão coberto com a bandeira do Rio Grande do Sul foi colocado em frente ao palco das autoridades, simbolizando o desespero que tomou conta de muitas famílias rurais diante da falta de soluções para o endividamento do setor.

Segundo os organizadores do ato, mais de 30 produtores rurais teriam cometido suicídio nos últimos anos, em meio à pressão financeira provocada por dívidas acumuladas, eventos climáticos extremos e queda na rentabilidade da atividade.

O clima de indignação no evento foi reforçado pelo discurso do deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), que participou da abertura representando a Câmara dos Deputados. Zucco é pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

Durante sua fala, o parlamentar afirmou que o campo brasileiro vive uma situação limite e cobrou uma resposta urgente das autoridades para evitar o colapso financeiro de milhares de propriedades rurais.

“O produtor assume o risco da safra, assume o risco climático, assume o risco do financiamento. Mas muitas vezes quem fica com a maior parte do resultado não é quem está no campo”, afirmou.

Securitização das dívidas
Zucco defendeu que a prioridade imediata para o setor seja a securitização das dívidas rurais, mecanismo que permitiria reorganizar os passivos acumulados pelos produtores em prazos mais longos e com condições reais de pagamento.

Segundo o deputado, muitos agricultores hoje carregam dívidas acumuladas de várias safras, agravadas por secas severas, enchentes e aumento dos custos de produção.

“Sem securitização, milhares de produtores simplesmente não conseguirão plantar a próxima safra”, alertou.

O parlamentar afirmou ainda que pretende levar essa pauta diretamente ao senador Flávio Bolsonaro, defendendo a construção de uma solução nacional para o endividamento rural.
Ele lembrou que um modelo semelhante já foi adotado no Brasil na década de 1990 e permitiu reorganizar o passivo do setor agrícola, abrindo caminho para o crescimento do agronegócio nas décadas seguintes.

Custos crescentes e disputa sobre royalties

Além do endividamento, produtores também demonstraram preocupação com o aumento dos custos de produção e com possíveis impactos da reforma tributária sobre a atividade agrícola.

Entre os pontos levantados pelo setor está a cobrança considerada abusiva de royalties sobre sementes, tema que já está sendo questionado judicialmente por sindicatos rurais e entidades representativas do agronegócio. As organizações argumentam que o modelo atual de cobrança acaba ampliando excessivamente os custos de produção e reduzindo ainda mais a renda dos agricultores.

Durante o protesto realizado na abertura da feira, faixas exibidas no local também apontavam fatores que estariam pressionando o setor, como perdas provocadas por secas e enchentes, baixo valor pago pela produção e aumento da carga tributária.
Para Zucco, o país precisa garantir condições mínimas para que o produtor continue produzindo.

“O agricultor brasileiro já salvou a economia do país inúmeras vezes. O mínimo que o Brasil precisa garantir agora é respeito e equilíbrio nas relações econômicas do campo”, afirmou.

A Expodireto Cotrijal é uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina e reúne anualmente produtores, empresas, cooperativas e autoridades para debater tecnologia e políticas públicas para o setor.

Neste ano, no entanto, a abertura do evento foi marcada por um recado direto vindo do campo: sem uma solução para o endividamento rural, milhares de produtores correm o risco de não conseguir seguir produzindo.

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