Gilberto Jasper
Jornalista/gilbertojasper@gmail.com
Dados de 2024 revelam que a expectativa de vida no Brasil alcançou 76,6 anos, retomando a trajetória de crescimento pós-pandemia, com mulheres vivendo 79,9 anos e os homens 73,3 anos. O envelhecimento populacional é acelerado, com o Sul liderando em proporção de idosos.
Enquanto a longevidade cresce, aumentam os desafios. Uma realidade cada vez mais presente é a necessidade que muitos têm de retornar ao mercado de trabalho depois da aposentadoria. Como 60% dos benefícios não passam de um salário mínimo – R$ 1.621,00 -, as dificuldades aumentam. Quem pensou em ócio é forçado a retomar a buscar uma nova colocação para cumprir o orçamento doméstico.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil vive um recorde histórico de participação desta faixa etária na força de trabalho, somando 24%. Um em cada quatro pessoas com mais de 60 anos ou mais está ocupada – são 8,3 milhões de brasileiros.
Apesar da grande participação dos idosos no mercado de trabalho, a grande parte participa das atividades produtivas em situação precária. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contnua), revela que 53,9% dos trabalhadores desta faixa etária estão na informalidade, índice muito superior à média nacional, que é de 37,6%.
Ao receber a notícia da aposentadoria deferida, o brasileiro é tomado por um sentimento dúbio. Primeiro, fica feliz. Afinal, depois de décadas, finalmente chegou a hora de aproveitar a vida. Aos poucos, no entanto, ele constata que o benefício/aposentadoria é insuficiente para sobreviver.
Muitos aposentados também se veem compelidos a ajudar os filhos nas despesas familiares. Isso os tornam – em muitos casos – escravos dos empréstimos consignados, a nova praga que aflige os trabalhadores mal pagos. Levantamento da semana passada revelou que apenas no Rio Grande do Sul este montante chega a R$ 4,8 bilhões. Foram 485 mil gaúchos que solicitaram e receberam o OK para o chamado consignado CLT.
No mercado de trabalho, os 60+ têm no segmento de supermercados o principal filão de colocação. A escassez de mão-de-obra para esta atividade abre caminho para o reposicionamento. É um final de vida pouco digno para quem tanto trabalhou.
