Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

seg, 9 de março de 2026

Maria Ionara Rodrigues Melo, policial penal e mãe de três filhos, fala sobre fé, desafios e força feminina no sistema prisional

Coragem que veste farda

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Atuar no sistema prisional, para Maria Ionara Rodrigues Melo, é mais do que exercer uma profissão, é assumir, diariamente, um compromisso com coragem, equilíbrio emocional e responsabilidade. Há 14 anos na Polícia Penal, ela construiu sua trajetória enfrentando preconceitos e ocupando um espaço historicamente masculino. “A mulher pode, sim. Se ela quiser, ela pode fazer o que o homem faz”, afirma.

A inspiração para a carreira também tem raízes familiares. Filha de policial militar, cresceu compreendendo o significado da farda, da disciplina e do compromisso com a sociedade. Hoje, ao vestir o uniforme, carrega não apenas sua própria história, mas também valores que a acompanham desde cedo.

Maria ingressou na carreira em 17 de junho de 2011, na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre. Depois de atuar por anos em Uruguaiana, está desde 2020 em Sant’Ana do Livramento. Ao longo do tempo, percebeu o quanto a profissão moldou sua personalidade. “Me tornei uma mulher mais decidida, mais corajosa.”

Dentro do ambiente prisional, os desafios são diários. Além das situações complexas que envolvem pessoas privadas de liberdade, muitas delas em sofrimento emocional, há também o enfrentamento do machismo e da desvalorização. “Cada dia que a gente coloca o pé lá dentro é um desafio. É preciso técnica, equilíbrio e força.”

Conciliar a rotina intensa com a maternidade também exigiu superação. Mãe de três filhos, ela passou anos viajando a trabalho enquanto eles ainda eram pequenos. “Foi uma fase difícil, mas passou. Hoje eu olho para trás e penso: eu venci.”

A fé é o que a sustenta. Ionara repete com convicção que é Deus quem a mantém firme, quem lhe dá coragem e equilíbrio para lidar com as pressões da profissão. “Se eu estou ali todos os dias, é porque Ele me dá força.”

Quando veste a farda, ela diz representar uma mulher de fé, perseverança e dedicação. Uma mulher que trabalha com amor. “Eu amo o que faço. Quando a gente coloca amor no trabalho, o ambiente se torna melhor.”

Para outras mulheres que sonham em ingressar na Polícia Penal, ela deixa um recado direto: “Nunca permita que ninguém acabe com o seu sonho. Tenha coragem, tenha foco, tenha fé. Não desista.”

 

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