Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

ter, 17 de março de 2026

Empresários cobram medidas urgentes após reunião com a Brigada Militar sobre prédios abandonados em Sant’Ana do Livramento

Lideranças da ACIL e do Sindilojas alertam para avanço da criminalidade e defendem ações firmes do poder público

Um dos prédios que mais preocupa os empresários de Sant’Ana do Livramento é o da antiga OI, localizado na Rua Rivadavia Corrêa. O imóvel abandonado tem sido apontado como ponto de usuários de drogas e abrigo para pessoas em situação de rua, gerando insegurança para moradores e comerciantes da região.
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Empresários e lideranças de Sant’Ana do Livramento reforçaram a preocupação com o aumento da criminalidade associada a prédios abandonados no município, durante reunião realizada na noite de segunda-feira com o comando do 2º Regimento de Polícia Montada (RPMon), da Brigada Militar.

O encontro contou com a presença de representantes do setor produtivo, entre eles o presidente da ACIL, Zico Pereira, e o presidente do Sindilojas, Sérgio Oliveira, além de autoridades como o tenente-coronel Aníbal Silveira e o capitão Alex.

Em entrevista ao Jornal A Plateia e à Rádio RCC, Sérgio Oliveira destacou a gravidade da situação e relatou o cenário encontrado durante visita a imóveis abandonados na cidade. “Fomos muito bem recebidos pelo comando da Brigada Militar, que também demonstrou preocupação com esses prédios. Estivemos em locais como o Gazapina e ficamos impressionados com o nível de depredação. O acesso está completamente liberado, e isso facilita a ocupação”, afirmou.

Segundo Oliveira, os imóveis vêm sendo utilizados como abrigo por pessoas em situação de vulnerabilidade, o que, aliado à falta de controle, tem gerado impactos diretos na segurança pública. “A grande preocupação é que esses locais estão servindo como hospedagem para pessoas em situação de rua e também como ponto de apoio para furtos, arrombamentos e outros crimes. Isso acaba afetando diretamente os moradores e o comércio da região”, ressaltou.

O presidente do Sindilojas, Sérgio Oliveira, também alertou para o risco de agravamento da situação. “Em algum momento, pode ocorrer um conflito mais grave. A gente sabe que, em ambientes como esses, situações envolvendo drogas podem levar a crimes ainda mais sérios, inclusive contra a vida”, disse.

Diante do cenário, as entidades empresariais articulam ações junto ao poder público. Entre as medidas defendidas está a identificação dos proprietários dos imóveis e, se necessário, o lacramento dos acessos.

“Se não encontrarmos os responsáveis, vamos buscar junto ao Executivo e ao Ministério Público alternativas para fechar esses locais. Hoje, muitos estão com portas abertas, acesso livre, e isso é um problema sério para toda a vizinhança”, completou Oliveira.

Já o presidente da ACIL, Zico Pereira, ampliou o debate ao destacar que o problema vai além da ocupação dos prédios e envolve questões sociais e legais mais complexas.

“Essa é uma questão bem mais ampla. Precisamos dividir o problema para entender melhor. Claro que a proteção social é importante e deve continuar, mas existe uma realidade difícil, com aumento de pessoas à margem da sociedade, muitas delas dependentes químicos, que acabam vivendo de pequenos furtos”, afirmou.

Zico ressaltou que há diferentes perfis envolvidos nas ocorrências. “Tem aqueles que precisam de tratamento e apoio, mas também existem os que já se especializaram em cometer crimes, invadir estabelecimentos e agir com ameaça. Isso precisa ser enfrentado com firmeza”, pontuou.

Ele também defendeu uma atuação mais efetiva do poder público sobre imóveis abandonados. “Prédios públicos e privados vazios, no centro da cidade, precisam ter um destino. O município precisa agir com urgência”, disse.

Outro ponto levantado pelo dirigente é a limitação legal para lidar com pessoas em situação de rua. “A assistência social faz o que pode, oferece ajuda, mas muitos não aceitam. E a lei não permite obrigar a pessoa a sair dessa condição, o que dificulta ainda mais a solução”, explicou.

Para Zico Pereira, o caminho passa pelo equilíbrio entre ações sociais e medidas mais firmes. “Se continuar como está, com muita permissividade, a tendência é o aumento desse tipo de crime. Precisamos de soluções firmes, mas sem violência”, concluiu.

A Brigada Militar já intensificou o patrulhamento, especialmente durante a noite e madrugada, enquanto entidades como ACIL, Sindilojas e Associação de Mulheres Empreendedoras seguem mobilizadas para buscar alternativas que tragam mais segurança à população e ao comércio de Sant’Ana do Livramento.

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