Depois de uma vida dedicada à sala de aula, o silêncio da aposentadoria abriu espaço para uma nova missão na vida da professora aposentada Mirta Vieira: levar alimento, carinho e escuta para pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas. O que começou de forma simples, com pequenas ações individuais, hoje se transformou em uma corrente de solidariedade que reúne diversas mãos dispostas a ajudar.
Acostumada a viver cercada de crianças, histórias e necessidades, Mirta conta que sentiu um vazio ao deixar a rotina escolar. Mas, ao mesmo tempo, percebeu que ainda tinha muito a oferecer. “A sala de aula sempre foi o meu chão, o meu lugar de vida. Quando me aposentei, senti que ainda tinha muito amor para dar”, relembra.
A vontade de continuar ajudando, somada à fé que sempre guiou seus passos, foi o impulso para o primeiro gesto. Pequeno, mas cheio de significado. Com o tempo, a iniciativa ganhou forma e hoje integra o projeto Semeando Amor, que reúne amigos, voluntários e doadores em torno da mesma causa: levar alimento e dignidade a quem precisa.
As marmitas distribuídas são preparadas com cuidado e respeito. Mirta faz questão de que todas sejam iguais, preparadas com o mesmo carinho com que faria para a própria família. Para ela, cada detalhe importa quando se trata de cuidar do outro.
Ao longo das entregas, muitas histórias marcaram sua trajetória. Uma das mais emocionantes aconteceu em uma noite fria, quando uma senhora que havia recebido uma marmita voltou com uma pequena muda de flor nas mãos para agradecer. O gesto simples se tornou um símbolo para Mirta. Ali, ela percebeu que a solidariedade também transforma quem ajuda.
A experiência nas ruas também trouxe aprendizados profundos sobre empatia e humanidade. Para Mirta, cada pessoa carrega uma história que muitas vezes passa despercebida. Por isso, além da comida, o gesto mais importante é olhar nos olhos, ouvir e tratar cada um com respeito.
A força para continuar vem da fé e das pessoas que caminham ao seu lado. O projeto conta com a ajuda de amigos, voluntários e doações da comunidade, que contribuem com alimentos, embalagens e apoio para que as ações continuem acontecendo.
Professora, mãe, avó e voluntária, Mirta Vieira segue acreditando que pequenos gestos podem transformar realidades. E deixa uma mensagem para outras mulheres que desejam ajudar: começar, mesmo que com pouco.
“Não esperem ter muito. Comecem com o que têm: uma palavra, um prato de comida, um gesto.”
