O reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, recebeu com muita insatisfação a notícia de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revogou o edital que previa a abertura de até 5,9 mil vagas para cursos de Medicina no país. O ato publicado no Diário Oficial da União, no último dia 10, foi assinado pelo ministro da educação. Resultado imediato dessa medida, três propostas para a abertura do curso na região, uma delas a da própria Urcamp, ficam sem efeito.
Para o reitor da Urcamp, a decisão vem frustrar não só as expectativas da instituição que tem mais de 60 anos de atividades nas comunidades das regiões da Campanha e Fronteiras Oeste gaúchas, mas também de uma população que carece de serviços de atendimento médico. “Nossas equipes ofereceram um projeto de ação fundamentado na mais moderna abordagem sobre medicina, incluíram componentes curriculares e estrutura de conteúdos altamente atualizados, além de montar uma proposta que passou pelas três fases de análises sem jamais ter recebido sequer uma solicitação de correção”, analisa Bragança.
Além da base acadêmica, o dirigente aponta o aspecto comunitário da proposta. “Nossa instituição mantém um Hospital Universitário que serve como essencial complemento ao atendimento da demanda de Bagé e de municípios da região. Nossa relação com o atendimento do Sistema Único de Saúde tem sido exemplar, a ponto de alcançarmos 90% de atendimentos prestados pelo SUS e de termos angariado a confiança da secretaria estadual de saúde para ampliarmos nossa atuação ambulatorial”, argumenta.
Outros dois aspectos foram ressaltados na proposta do reitor: um é o fato de o projeto ter somado a Santa Casa de Caridade de Bagé como campo de atuação, estágios e de profissionais pós-graduados; outro é o conjunto de cursos da área de saúde já oferecidos pela Urcamp que seriam importantes complementos a dar suporte ao curso de medicina de Bagé, como Biomedicina, Farmácia, Enfermagem, Nutrição, Psicologia, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Estética e Cosmética.
“O conjunto de cursos de apoio, a infraestrutura disponível, as parcerias angariadas na comunidade e nossa experiência com educação ao longo de décadas nos credenciam. Não bastasse tudo isso, ainda somos reconhecidos como instituição nota máxima no MEC”, argumenta Bragança ao analisar as justificativas do governo para cancelar a seleção. “As instituições sérias e historicamente comprometidas com a qualidade acabam sendo prejudicadas por uma decisão genérica. Se há problemas com a avaliação de instituições recentes, a mesma medida não caberia para nós”, avalia.
Até o momento não houve manifestação expontânea de autoridades ou lideranças da base do governo sobre o tema em Bagé.
