Há 54 anos, os JERGS – Jogos Escolares do Rio Grande do Sul representam muito mais do que uma competição. Em 2025, o evento reuniu cerca de 13 mil escolas e aproximadamente 130 mil estudantes, envolvendo os 497 municípios gaúchos.
Para entender a dimensão do projeto, a reportagem conversou com a professora de educação física, Iara Zamberlan, que trabalhou na 19ª Coordenadoria Regional de Educação e atuou por 18 anos na organização do JERGS.
Segundo ela, o impacto vai além das quadras.
Um caminho que começa na escola
A competição é dividida em quatro etapas: municipal, coordenadoria (CRE), regional e final estadual. Santana do Livramento integra a 19ª CRE, ao lado de Quaraí, São Gabriel, Rosário do Sul e Santa Margarida do Sul.
Somente na etapa municipal de 2025, em Livramento, cerca de 1.200 estudantes participaram das disputas nas modalidades coletivas e individuais.
“Eles querem ganhar porque querem viajar, querem representar a escola, querem viver essa experiência”, destaca Iara.
Após a fase municipal, os campeões avançam para a etapa de coordenadoria, onde enfrentam representantes dos demais municípios da região. Para muitos, é a primeira oportunidade de competir fora da cidade.
Esporte como ferramenta de formação
As modalidades incluem futsal, vôlei, handebol e basquete, além de atletismo, tênis de mesa e orientação. O futsal é o mais procurado, enquanto o atletismo vem crescendo de forma significativa no município.
O JERGS também é referência em inclusão. Estudantes com deficiência participam da final estadual em modalidades adaptadas, reforçando o compromisso com igualdade de oportunidades.
“O esporte é uma continuidade do processo pedagógico. Ele desenvolve responsabilidade, solidariedade e respeito”, explica Iara.
Professor: o grande incentivador
Para a professora, o educador físico é peça-chave no processo. É ele quem identifica talentos, incentiva os mais tímidos, organiza treinos e orienta postura dentro e fora das quadras.
A participação também depende do comprometimento escolar: frequência, notas e comportamento são critérios considerados para integrar as equipes.
“O que aparece na quadra é reflexo do que foi trabalhado em aula”, resume.
Do JERGS ao cenário estadual e nacional
O programa já revelou estudantes que avançaram para os Jogos Escolares Brasileiros e passaram a integrar equipes tradicionais do Estado.
Um exemplo marcante é o de José Arthur, o Tutu. Ainda criança, participou do JERGS no atletismo ao lado do irmão. Com deficiência visual, foi observado por uma técnica e convidado a integrar uma equipe de natação. Hoje, faz parte da Seleção Gaúcha da modalidade, trajetória iniciada dentro dos Jogos Escolares.
Histórias como essa reforçam o alcance do projeto: o JERGS não apenas organiza competições, mas transforma realidades.
Mais do que medalhas
Após 18 anos acompanhando de perto a evolução do evento na região, Iara destaca que a maior conquista não está no pódio.
“As amizades, a parceria entre professores e a alegria dos alunos não têm preço”, afirma.
No Dia do Esportista, o JERGS simboliza o esporte como instrumento de formação integral, um espaço onde nascem atletas, mas, sobretudo, cidadãos.

Medalhas simbolizam dedicação, mas o maior prêmio é a formação cidadã.

