Brasília – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno ao “fluxo ordinário” das investigações do chamado Caso Master, autorizando a Polícia Federal (PF) a retomar perícias e o agendamento de depoimentos. A decisão representa uma reversão direta da postura adotada anteriormente pelo ministro Dias Toffoli, antigo relator do caso.
Até então, Toffoli havia determinado que materiais apreendidos em buscas e apreensões permanecessem lacrados e sob guarda da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além disso, o ministro havia exigido que os depoimentos de figuras-chave — como o empresário Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do Banco Central Ailton de Aquino Santos — fossem realizados nas dependências do STF, chegando a convocar acareações antes mesmo da colheita formal de relatos.
Desgaste e Acusações
A mudança na condução ocorre em meio a um cenário de forte tensão entre Dias Toffoli e a Polícia Federal. O ministro chegou a acusar a corporação de “inércia”, crítica que foi rebatida com a entrega de um relatório de 200 páginas pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin.
O documento detalha conexões suspeitas entre Toffoli e o empresário Vorcaro, incluindo o suposto pagamento de R$ 35 milhões referente a uma cota de um resort pertencente ao ministro no interior do Paraná.
Estratégia de Isolamento
Embora tenha devolvido à PF a capacidade de conduzir os trabalhos técnicos, André Mendonça incluiu uma condicionante que gerou repercussão nos bastidores do Judiciário. O ministro ordenou que os agentes envolvidos mantenham “dever de sigilo profissional”, proibindo o compartilhamento de informações com seus “superiores hierárquicos”.
A medida está sendo interpretada como um movimento estratégico para afastar o diretor-geral Andrei Rodrigues do acesso direto aos detalhes do inquérito. Vale lembrar que Mendonça foi um dos críticos mais vocais à postura de Rodrigues durante a reunião secreta na qual o STF selou a saída de Toffoli da relatoria do caso.
Para investigadores que acompanham o desdobramento, a decisão de Mendonça tenta colocar o processo em uma “trilha de normalidade”, retirando o caráter de excepcionalidade que marcou a fase anterior da investigação.
