Segundo Rafa Castro, a decisão veio em um momento sensível, no início do ano, quando muitas pessoas ainda não tinham conhecimento do decreto que oficializa o aumento e que passa a valer no final do mês. O vereador relatou que esteve no terminal de ônibus conversando com usuários e percebeu o impacto imediato da notícia. “As pessoas ficaram chocadas. Muitas ainda não sabiam do reajuste e relataram problemas diários, como falta de ônibus em determinados dias e horários”, destacou.
O parlamentar reconheceu que a inflação afeta diversos setores, mas ressaltou que o transporte público enfrenta problemas antigos e recorrentes. Entre as principais reclamações estão a superlotação nos horários de pico, a falta de limpeza dos veículos, panes mecânicas frequentes e a ausência de linhas em alguns dias, especialmente aos domingos. “Não é um transporte digno. A tarifa aumenta, mas o serviço continua precário”, afirmou.
Rafa Castro também esclareceu que o reajuste da tarifa é de competência exclusiva do Poder Executivo Municipal e não passa pela aprovação da Câmara de Vereadores. No entanto, segundo ele, o decreto informa que o aumento foi aprovado pelo Conselho Municipal de Transporte (Comute), de forma unânime, o que levanta questionamentos sobre a representatividade dos membros presentes na decisão.
Diante disso, o vereador informou que protocolou um pedido de informações solicitando as atas das reuniões do Comute, para identificar quem participou das deliberações e se houve representação efetiva da sociedade civil. Além disso, pediu acesso ao estudo do cálculo tarifário que fundamenta o reajuste. “É necessário verificar se o aumento está realmente embasado na planilha de custos, que considera fatores como combustível, quilometragem, salários e manutenção da frota”, explicou.
Outro ponto abordado foi a possibilidade de retirada dos cobradores dos ônibus, defendida pela empresa concessionária. Rafa Castro se posicionou de forma contrária à medida, afirmando que não há comprovação de que isso traria melhorias ao sistema. “Além de retirar empregos, sobrecarrega o motorista e não garante um transporte melhor para a população”, ressaltou.
Por fim, o vereador afirmou que seguirá cobrando melhorias e mais transparência no transporte público coletivo. Para ele, qualquer reajuste tarifário precisa, obrigatoriamente, vir acompanhado de avanços concretos na qualidade do serviço oferecido à comunidade santanense.
