Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

dom, 11 de janeiro de 2026

Resumo de Domingo – 11/01/2026 

Crédito: Reuter/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil
O texto abaixo está em

  FOLHA DE S.PAULO – Afastamentos devido ao burnout crescem 493% de 2021 a 2024 no Brasil                

 

O GLOBO – Petróleo sul-americano: como Trump tenta deter o silencioso avanço chinês        

 

O ESTADO DE S.PAULO – Brasil tem água suja ou extremamente suja em 30% de sua costa   

 

Correio Braziliense – Trump diz estar pronto para intervir na crise do Irã           

 

Valor Econômico – Não circula hoje    

 

Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importante do dia 

 

NOVO problema – Os afastamentos por burnout —síndrome do esgotamento profissional— se multiplicaram por 6 em quatro anos e passaram a pressionar os gastos da Previdência Social. Dados do MPS (Ministério da Previdência Social) apontam alta de 493% nos auxílios-doença por esgotamento no trabalho e falta de lazer, saltando de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Nos seis primeiros meses de 2025, os registros chegaram a 3.494, representando 71,6% dos afastamentos do ano anterior. Os números podem estar subnotificados. O esgotamento no trabalho não é fácil de ser identificado e pode levar o profissional a ser afastado por outras doenças. Além disso, trabalhadores informais não contribuem com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e ficam fora das estatísticas. Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental —o que inclui depressão, ansiedade e outras síndromes— de um total de 3,6 milhões de afastamentos. No ano anterior, foram 283,5 mil. Em 2025, os transtornos por saúde mental geraram 271.076 afastamentos de janeiro a junho, de um total de mais de 2 milhões de auxílios e já representam 1 em cada 7 afastamentos, aproximando-se das concessões por problemas ósseos e musculares, que lideram as doenças no INSS. 

 

ESTRATÉGIA trumpista – A operação militar que depôs Nicolás Maduro e tomou o controle do petróleo venezuelano redirecionou a política externa dos EUA para a América do Sul, mais uma vez preparando o terreno para um duelo entre duas potências globais. Os Estados Unidos e a China consomem 35% do petróleo mundial, e o continente sul-americano possui as segundas maiores reservas do mundo, atrás apenas do Oriente Médio. Nos últimos anos, os chineses transformaram sua presença na região, passando de meros compradores a detentores de reservas. Analistas classificam essa estratégia como “silenciosa” porque frequentemente envolve associação com empresas de outros países, sendo subestimada em números oficiais. No Brasil, Guiana, Suriname e Argentina, empresas petrolíferas dos EUA e da China já competem diretamente por reservas estratégicas, e especialistas explicam como a ação militar de Trump pode redesenhar o cenário 

 

TRISTE cenário – Ao menos 30% dos ambientes aquáticos costeiros do Brasil estão “sujos” ou “extremamente sujos”, segundo um abrangente estudo mundial coordenado por pesquisadores brasileiros. Um dos casos mais críticos de contaminação é o dos manguezais de Santos e São Vicente, em São Paulo, que figuram entre os dez pontos mais sujos do planeta e, por isso mesmo, são apontados como um “hot spot” mundial. O levantamento sistematizou mais de 6 mil registros de contaminação por lixo em ambientes aquáticos em todos os continentes (574 deles no Brasil). O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Ítalo Braga de Castro e liderado pelo doutorando Victor Vasques Ribeiro, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os resultados foram publicados na revista científica Journal of Hazardous Materials em novembro. 

 

O BEDELHO de Trump – Ele diz estar pronto para intervir na crise do Irã. Nos últimos dias, as ameaças de intervenção se estenderam ao Irã, que teve as principais instalações nucleares bombardeadas pela aviação norte-americana no ano passado, em meio aos confrontos com Israel. Agora, Trump fala em intervir de novo contra o regime islâmico, inclusive militarmente, para conter a repressão a uma onda de manifestações contra a crise econômica alta do custo de vida — ambas, ao menos em parte, fruto de um duro regime de sanções imposto por Washington. 

 

PROCESSO contra Heleno – A Comissão de Ética Pública da Presidência da República abriu um processo contra o general Augusto Heleno, de forma preliminar. O procedimento antecede a possível instauração de um Processo de Apuração Ética (PAE). Segundo informações do Ministério da Casa Civil, o processo ocorrerá de acordo com o decreto que institui o Sistema de Gestão Ética do Poder Executivo Federal. O decreto prevê 10 dias para o investigado se manifestar. A Casa Civil, porém, não informou a data de instauração do processo nem motivo para a abertura. 

 

JUSTIÇA nega pedido de Vorcaro – A Justiça de São Paulo negou o pedido do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, de levar partes da Operação Carbono Oculto e Quasar para o Supremo Tribunal Federal. A primeira instância entendeu que não há vínculo da operação deflagrada no fim de agosto de 2025 pela Polícia Federal com a investigação que segue sob sigilo na Suprema Corte sobre a compra do banco Master pelo BRB. As operações que apuram crimes de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), fintechs e o setor de combustível tramitam na Justiça estadual paulista e Justiça Federal de São Paulo, respectivamente. 

 

ESCOLHA um lado – Enquanto o Brasil se mantém longe de polêmicas, outras nações estão escolhendo seus lados. A Rússia enviou um submarino e outras embarcações para escoltar um petroleiro que tentou burlar o bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro não poupou críticas a Trump — que retribuiu — e acusou, sem provas, o colombiano de ser um líder do narcotráfico.  

 

FUTURO incerto – Para outros especialistas, caso Trump resolva atacar a Colômbia, a América Latina passaria por grandes mudanças quanto a parcerias internacionais. “Esse cenário ressuscitaria com força o sentimento ‘anti-Yankee’, empurrando os países que defendem a soberania para parcerias estratégicas ainda mais estreitas com potências como China e Rússia, visando criar um contrapeso ao poderio americano”, afirma conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), Márcio Coimbra.  

 

ALERTAS – O liquidante do Banco Master, EFB Regimes Especiais de Empresas, detectou que, no endereço 834, Brickell Plaza — um dos mais chiques do Financial District, em Miami — apesar de alugado a preço de ouro, nunca foi ocupado pela instituição de Daniel Vorcaro (preso desde novembro) ou por outras empresas dele. O caso acendeu um alerta nos investigadores dos Estados Unidos. A Justiça norte americana reconheceu a liquidação extrajudicial do Master decretada no Brasil, em uma decisão que reforça a posição do Banco Central e representa um revés para o controlador investigado.  

 

NADA está bom – Mesmo com o selamento do acordo entre Mercosul e Europa, após 25 anos, a oposição criticou a condução do governo do presidente Lula nas negociações entre os blocos econômicos. Para eles, o petista foi incapaz de conduzir uma negociação “firme, técnica e alinhada aos interesses nacionais”, desperdiçando uma oportunidade estratégica para a ampliação do Brasil no comércio internacional. 

 

NOVO nome – O influenciador Ivan Baron é um dos cotados a assumir a Secretaria Nacional dos Direitos Pessoas com Deficiência. Ele tem paralisia cerebral decorrente de meningite viral e tornou-se conhecido por sua atuação nas mídias sociais em defesa e divulgação de políticas de inclusão para pessoas com deficiência. É formado em pedagogia e subiu a rampa do Planalto na posse de Lula, em 2023. 

 

DEBATE necessário – O analista político e advogado Melillo Dinis participou, ontem, do evento Crisis en Venezuela: Una agenda para la Transición Pacífica para debater sobre a crise na nação vizinha, anistia para condenados por crimes políticos, soluções e possíveis novas eleições no país. “Sob o manto do grupo de Lideranças Democráticas da América Latina, discutimos quais seriam os próximos passos para uma transição pacífica e democrática na Venezuela, apesar da violação do direito internacional e do ataque dos EUA”, ressaltou.  

 

VAMOS com calma – A ala mais radical da esquerda está incomodada com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise da Venezuela. O chefe do Executivo brasileiro adotou uma postura mais comedida sobre a invasão dos Estados Unidos e a prisão do ditador Nicolás Maduro — sendo aconselhado por seus assessores a “falar menos” nas declarações públicas. O corpo diplomático destacou que não quer perder o avanço que fez na relação com Donald Trump sobre a revogação do tarifaço. Mas, para os mais exaltados, o Brasil está perdendo a oportunidade de se colocar à frente do debate mundial. Para o embaixador aposentado Jorio Dauster, a lua de mel entre Lula e Trump pode estar com os dias contados diante do comportamento intempestivo do norte-americano e de seus planos ambiciosos. “Ele está disposto a instalar em todos os países da região regimes subordinados a ele, aos interesses políticos e econômicos dos EUA e aos conceitos de extrema direita. Não se iludam os que creem que Lula conseguiu ‘encantar’ Trump. Nas eleições presidenciais deste ano, todo o poder da Casa Branca será posto a serviço de seus adversários”, disse. 

 

TRANSIÇÃO iniciada – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, ontem, a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), nomeando o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto como ministro interino. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União após Lewandowski entregar uma carta de demissão citando “razões de caráter pessoal e familiar”. Em sua despedida, o agora ex-ministro afirmou ter exercido seu cargo com “zelo e dignidade”, apesar de mencionar “limitações políticas, conjunturais e orçamentárias” enfrentadas durante os quase dois anos à frente da pasta. Ele havia assumido o posto em fevereiro de 2024, logo após se aposentar como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A gestão de Lewandowski foi amplamente elogiada pelo decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, que destacou o combate às facções criminosas em um tripé de planejamento, inteligência policial e cooperação. Em uma publicação feita em seu perfil no X (antigo Twitter), Gilmar citou operações de relevância contra lavagem de dinheiro e fraudes.  

 

EFEITO Bolsonaro – A indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que seu representante na eleição de 2026 seria seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embaralhou as possibilidades de alianças que se desenhavam entre os governadores da direita cotados para o Palácio do Planalto –Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO). Até agora, a candidatura do senador aponta para um cenário de fragmentação em vez de unificação da oposição a Lula (PT) no primeiro turno. Embora Tarcísio indique que não vá concorrer para apoiar Flávio, o nome de Ratinho voltou a ganhar força como alternativa ao senador, enquanto Zema e Caiado afirmam que também vão disputar a Presidência da República. 

 

LULA tomba antigo prédio do Dops – O governo Lula (PT) homologou nesta terça-feira (30) o tombamento do antigo prédio do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) do Rio de Janeiro, após decisão de novembro do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A portaria do Ministério da Cultura foi publicada após aprovação do Conselho Consultivo do instituto, que entendeu a necessidade da ação pelos valores histórico, artístico e arquitetônico do prédio, além de ser considerado um marco das lutas sociais e políticas em defesa da democracia brasileira. De acordo com o governo federal, em decorrência da aprovação, o edifício será inscrito nos Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes. 

 

O RETORNO de Cunha – O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) enviou uma emenda de R$ 1 milhão para a cidade de João Pinheiro, no noroeste de Minas Gerais, onde busca votos para voltar à política neste ano como deputado federal. Sem mandato desde 2016, quando foi cassado, Cunha não tem direito a emendas parlamentares, mas conseguiu a “gentileza”, nas palavras dele, com o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Gilberto Abramo (MG). 

 

PENDÊNCIAS da gestão – O presidente Lula entra no último ano de seu terceiro mandato com promessas a cumprir em áreas como segurança pública, meio ambiente e trabalho. Focado em um possível quarto mandato, ele deverá intensificar esforços em pautas populares, como o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Avanços incluem a retirada do Brasil do Mapa da Fome e a implementação de tarifas sociais. No entanto, desafios persistem, como a universalização do acesso à água e a criação de uma autoridade climática. 

 

VERBAS para emendas destoa do padrão internacional – A aprovação de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares no Brasil destaca a crescente influência dos deputados e senadores sobre o orçamento, distanciando o país de práticas internacionais. Especialistas criticam a pulverização dos recursos, que prejudica políticas públicas estruturadas. O presidente Lula considera vetar parte do montante. A prática contrasta com países da OCDE, onde emendas são raras e limitadas. 

 

INTERESSE dos governadores em cadeiras no Senado aumenta – Com governadores impedidos de reeleição, cresce o interesse por vagas no Senado. Dos 18 nessa situação, 12 consideram candidaturas, número três vezes maior que em 2022. A busca por foro privilegiado, fortalecimento do Parlamento e boa avaliação local são motivos apontados. Governadores como Helder Barbalho e Fátima Bezerra já articulam suas candidaturas, enquanto outros ainda ponderam a decisão. 

 

PT pressiona o PSOL para se unir em federação – O PT pressiona o PSOL para formar uma federação de esquerda visando as eleições de outubro, argumentando que o partido de Boulos possui dois ministérios no governo Lula. A estratégia busca aumentar a força do campo no Congresso e evitar que o PSOL não atinja a cláusula de barreira. Apesar das discussões, a presidente do PSOL, Paula Coradi, descarta união com o PT, preferindo aliança com a Rede. 

 

COM Flávio lançado, direita do Rio afunila nomes – A direita do Rio de Janeiro enfrenta uma reconfiguração política com a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência e a prisão de Rodrigo Bacellar, influente na Assembleia Legislativa. Isso desencadeou movimentos para definir o candidato ao governo estadual. Douglas Ruas surge como nome de consenso, mas há hesitações devido ao favoritismo de Eduardo Paes. A eleição indireta na Alerj também é foco, com Nicola Miccione como possível candidato para um mandato-tampão. A pressão por espaços políticos e rearranjos entre direita e Centrão indicam um cenário de negociações intensas para a sucessão no estado.

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