O Brasil e o Rio Grande do Sul convivem com números que nos envergonham e nos entristecem. O país bateu recorde de feminicídios, com 1.470 casos. No ranking nacional, o RS aparece em sétimo lugar — foram 80 casos em 2025, ante os 73 de 2024. Só no início deste ano, ao menos cinco mulheres tiveram suas vidas interrompidas pela violência de gênero no estado. Não se trata de analisar casos isolados, mas de um fenômeno social, político e histórico. É um problema estrutural que exige ação permanente do poder público, com orçamento e ações efetivas e posicionamento firme.
O feminicídio é o desfecho mais cruel de uma escalada de violências que, muitas vezes, começa com controle, medo, humilhação e omissão. Por isso, enfrentar esse crime requer políticas públicas, rede de proteção forte, informação e educação.
Nesse enfrentamento, é fundamental destacar o papel da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, como espaço permanente de acolhimento, orientação e encaminhamento das denúncias. Quando estive à frente da Procuradoria, busquei dar voz às mulheres, cobrar políticas públicas e garantir o cumprimento da legislação. No ano passado, estive ao lado das colegas parlamentares para garantir a recriação da Secretaria da Mulher.
No entanto, é preciso ir além da resposta ao crime consumado. O combate à violência de gênero também passa pela educação. Falar sobre respeito, igualdade, ensinar meninos a lidar com emoções, a reconhecer limites, a ver meninas como iguais é estratégia de prevenção. As escolas não podem se furtar desse debate. Pelo contrário: precisam ser espaços de formação cidadã, onde crianças e adolescentes aprendam que violência não é normal, aceitável ou algo presenciado em casa.
Enquanto o feminicídio continuar fazendo parte da nossa realidade, não podemos ser indiferentes. Proteger as mulheres é um dever do Estado, mas também um compromisso da sociedade. Cada feminicídio é uma falha social que precisa ser enfrentada com coragem, ações e programas robustos e educação. Porque nenhuma mulher pode perder a vida simplesmente por ser mulher.

