Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

qua, 7 de janeiro de 2026

Por Jerônimo Goergen – Biodiesel: transição energética, alimento e renda avançam juntos

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Presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO)

Notícias recentes mostram que o avanço dos biocombustíveis no país projeta um consequente crescimento em várias culturas do agronegócio. Segundo dados da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) a soja atingiu 47 milhões de hectares na safra 2024/2025 e deverá subir para 49 milhões de hectares na safra 2025/2026.

Com um novo avanço da agroindústria no terceiro trimestre, o já expressivo crescimento do PIB da cadeia da soja e do biodiesel para 2025 passou por mais uma revisão positiva. No segmento de esmagamento, o resultado esteve em linha com a melhora das perspectivas para o ano indicada pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). No caso do biodiesel, o movimento foi impulsionado pela aceleração da produção observada no terceiro trimestre, associada à entrada do B15 em 1º de agosto.

Estudos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abiove, indicam que o PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode crescer expressivos 11,66% em 2025, refletindo o avanço da agroindústria e seu impacto positivo sobre os agrosserviços da cadeia.

Mas a diversificação do agro brasileiro vai para além da soja, com o reconhecimento do crescimento das culturas de outras plantas oleaginosas como carinata, sorgo, gergelim, lúpulo e canola. Elas avançam como alternativas futuras para produção de biodiesel e SAF (da sigla em inglês para Combustível Sustentável de Aviação).

Este cenário confirma o que venho defendendo há anos: os biocombustíveis representam o agro completo. Eles não são apenas uma política de transição energética ou de proteção ambiental — fazem parte de uma engrenagem estruturante do desenvolvimento econômico do Brasil.

No início, o biodiesel foi compreendido principalmente como uma alternativa ambiental, capaz de reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar. Com o avanço da política de mistura, ficou claro que seus efeitos iam muito além. O aumento gradual do biodiesel no diesel passou a impactar positivamente toda a cadeia produtiva, especialmente a produção animal, ao ampliar a oferta de farelos e proteínas para ração.

Hoje, o biodiesel interfere diretamente na dinâmica do agro brasileiro. Ele estimula novas culturas, cria alternativas produtivas na segunda safra, reduz a dependência de um único grão e fortalece regiões inteiras do país. Ao invés de exportarmos matérias-primas in natura, passamos a agregar valor dentro do Brasil, gerando empregos, renda, arrecadação e desenvolvimento regional.

Esse é um ponto central: o biodiesel transforma grão em energia, coprodutos em alimento, e produção em renda. Ele conecta o campo à indústria, a agricultura à pecuária, a energia à segurança alimentar. Poucos setores conseguem integrar tantos interesses estratégicos de forma tão clara e eficiente.

Para um país que já é uma potência agroambiental, o biodiesel deixou de ser uma alternativa e se tornou fundamental para a infraestrutura econômica. É parte do que sustenta a competitividade do Brasil no cenário global, ao mesmo tempo em que fortalece o mercado interno e promove inclusão produtiva.

Em 2026, com a entrada do B16 (16% de biodiesel misturado ao diesel fóssil), o Brasil estará ainda mais forte. Mas o avanço não será apenas numérico. Ele virá acompanhado de algo fundamental: a construção de um diálogo efetivo com os consumidores, baseado em qualidade, transparência e confiança. Esse diálogo é o que permitirá transformar o biodiesel não apenas em política pública, mas em um verdadeiro patrimônio nacional.
Transição energética, alimentos, renda, inovação, sustentabilidade e soberania. O biodiesel reúne tudo isso. E é exatamente por isso que ele já é indispensável ao maior país agro do mundo.

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