Em Sant’Ana do Livramento, o campo começa onde a cidade termina e, muitas vezes, atravessa o próprio espaço urbano. Localizado na região da Campanha Gaúcha, o município é profundamente marcado pelo Pampa Gaúcho, bioma de campos abertos que define a paisagem, a economia e a identidade cultural da fronteira. Mais do que um cenário natural, o Pampa é parte da história e do modo de vida local.
Com relevo suavemente ondulado, vegetação baixa e vastas extensões de campos naturais, o Pampa imprime um ritmo próprio à vida na região. Em Livramento, essa paisagem se estende até onde o olhar alcança e estabelece uma relação direta entre o homem, o território e a produção rural.
Historicamente, a Campanha foi um território de circulação e ocupação estratégica. Antes da consolidação das fronteiras nacionais, a região era percorrida por povos indígenas, tropas militares e estancieiros. Com o avanço da ocupação, a criação de gado tornou-se a principal atividade econômica, estruturando o território em grandes propriedades rurais e moldando a organização social.
Esse processo histórico deixou marcas profundas na identidade de Sant’Ana do Livramento. A cidade cresceu em diálogo constante com o campo, mantendo uma ligação direta com a zona rural que ainda hoje influencia fortemente a vida urbana.
O cotidiano da Campanha é marcado pelo trabalho no campo e por uma cultura fortemente ligada à natureza. A figura do campeiro simboliza essa relação: o homem do campo que conhece o território, o clima e o manejo dos rebanhos. O uso do cavalo, a lida diária com o gado e a transmissão de saberes entre gerações fazem parte desse modo de vida.
Costumes como o chimarrão, a culinária baseada na carne, a música regional e as vestimentas tradicionais reforçam essa identidade cultural. Mesmo com o crescimento urbano, esses elementos seguem presentes na cidade, mostrando que a Campanha não é apenas um espaço rural, mas um componente vivo da cultura local.
A economia de Sant’Ana do Livramento está historicamente ligada à pecuária extensiva, atividade que se adapta às características do Pampa Gaúcho. Entre os diferentes segmentos produtivos, destaca-se a ovinocultura, que ocupa um papel central na história e no desenvolvimento do município.
Esse protagonismo rendeu à cidade o título de Capital Nacional da Ovelha, reconhecimento que evidencia a importância da criação de ovinos para a economia local e regional. A ovinocultura está presente não apenas na produção rural, mas também em feiras, eventos tradicionais, na gastronomia e na identidade cultural da população.
Os rebanhos espalhados pelos campos pampeanos fazem parte da paisagem e simbolizam uma atividade que atravessa gerações, mantendo viva uma tradição produtiva que ajudou a construir a história da Campanha.
A paisagem do Pampa, apesar de sua aparente simplicidade, possui grande valor ambiental e econômico. Os campos naturais sustentam a produção pecuária e abrigam uma biodiversidade própria do bioma. Em Sant’Ana do Livramento, preservar essa paisagem significa manter o equilíbrio entre produção, cultura e meio ambiente.
As transformações nos sistemas produtivos e as pressões sobre o território colocam desafios para o futuro da Campanha. O debate sobre desenvolvimento sustentável ganha espaço, buscando conciliar crescimento econômico com a preservação dos campos e dos modos de vida tradicionais.

A histórica Igreja Matriz, marco da religiosidade e da arquitetura local .

