Em muitos lugares do mundo, a fronteira é marcada por muros, cercas e controles rígidos. Na fronteira entre Uruguai e Brasil, porém, a realidade é diferente. Em Rivera e Sant’Ana do Livramento, os marcos divisórios sinalizam o limite entre dois países, mas não interrompem o cotidiano de quem vive na região. Pelo contrário: fazem parte da paisagem urbana e da vida diária da população.
Esses marcos indicam oficialmente onde termina o território uruguaio e começa o brasileiro, mas, na prática, estão inseridos em ruas, praças e espaços públicos compartilhados. Pessoas atravessam a fronteira a pé, de bicicleta ou de carro, muitas vezes sem perceber, enquanto seguem sua rotina de trabalho, estudo ou lazer.
Mais do que um elemento geográfico, os marcos divisórios carregam um forte valor simbólico. Eles representam a existência de dois Estados nacionais, com leis e administrações diferentes, mas também expressam uma convivência histórica construída ao longo de décadas. Na região, é comum ouvir espanhol e português misturados, ver moedas dos dois países em circulação e perceber costumes que se cruzam diariamente.
A presença desses marcos ajuda a compreender a identidade local. A fronteira não é vivida como uma barreira, mas como um espaço de encontro. A população desenvolveu formas próprias de convivência, baseadas no respeito, na cooperação e na proximidade cultural. Essa dinâmica transforma a linha divisória em um elemento integrador, e não em um fator de separação.
Do ponto de vista urbano e turístico, os marcos também se tornaram pontos de interesse. Muitos visitantes se surpreendem com a possibilidade de estar em dois países ao mesmo tempo, o que reforça o caráter único da região. Para quem vive ali, eles fazem parte da memória coletiva e da paisagem cotidiana.
Ao observar os marcos divisórios, entende-se melhor a lógica da fronteira Rivera–Sant’Ana do Livramento: um território compartilhado, onde a divisão política existe, mas a vida segue integrada.

