Sofás, vasos sanitários, máquinas de lavar, televisores, carcaças de eletrodomésticos, móveis desmontados, entulho e até grandes áreas cobertas por estilhaços de para-brisas. O entorno do Lago Batuva se transformou em depósito ilegal de lixo — uma realidade que envergonha a cidade e impõe riscos ambientais e à saúde pública.
As imagens registradas no local mostram áreas tomadas por resíduos espalhados pelo chão, comprometendo completamente o uso do espaço. Em alguns trechos, o cenário é de degradação total, incompatível com a função de lazer e convivência que o lago deveria cumprir.
De acordo com a secretária municipal de Serviços Urbanos, Rosângela Paiva, a limpeza no entorno do lago não segue o cronograma regular da coleta domiciliar justamente porque não se trata de lixo comum, mas de descarte irregular que exige ações emergenciais. Na última intervenção realizada pela equipe, foram identificados 12 pontos de acúmulo de resíduos, com recolhimento aproximado de 30 toneladas de lixo.
Segundo a secretária, o trabalho no local é ainda mais complexo porque não se limita à retirada do lixo. Como há mistura de resíduos volumosos, entulho e materiais diversos, parte do trabalho envolve separação e organização do material retirado, o que torna a operação mais lenta, pesada e custosa do que uma coleta convencional.
O material encontrado nas ações de recolhimento evidencia a gravidade do problema. Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos, entre os resíduos retirados estão móveis desmontados, eletrodomésticos, roupas, calçados, entulho, tubulações e grande volume de materiais eletroeletrônicos.
Um dado que chama atenção é a presença de mais de 300 para-brisas entre os materiais descartados. De acordo com a secretária Rosângela Paiva, esse perfil demonstra que não se trata apenas de lixo doméstico, mas de descarte de grande porte, inclusive de materiais que deveriam ser destinados corretamente ao ecoponto do Curralão.
As imagens também revelam a presença de materiais perigosos espalhados pelo chão, como grandes áreas cobertas por estilhaços de vidro, além de peças metálicas e fragmentos de eletrodomésticos. O cenário não apenas compromete o uso do espaço, como oferece risco direto de ferimentos a quem circula pelo local, incluindo crianças e animais.
A Secretaria confirma que o problema tem se agravado e que as intervenções precisam ser cada vez mais frequentes. Segundo Rosângela Paiva, há situações em que a área é limpa e, em apenas dois dias, o entorno do lago volta a apresentar grande volume de lixo descartado irregularmente.
Além da degradação visual, o acúmulo de resíduos favorece a proliferação de mosquitos, ratos e baratas, aumentando riscos à saúde pública e comprometendo a qualidade ambiental de uma área sensível, explica a secretária. O Lago Batuva, considerado um dos cartões-postais do município, acaba tendo sua função social e sua imagem urbana diretamente impactadas.
A Secretaria de Serviços Urbanos afirma que vem adotando uma estratégia combinada para enfrentar o problema. Entre as ações estão a atuação conjunta com o Departamento Municipal de Meio Ambiente (DEMA), a realização de reuniões com o próprio DEMA e com a Associação Comercial e Industrial (ACIL), a avaliação para implantação de câmeras de monitoramento, a instalação de placas educativas em pontos críticos, a ampliação do número de lixeiras e a manutenção periódica das áreas mais afetadas.
Ao final da entrevista, a secretária Rosângela Paiva também registrou agradecimento à gestão da prefeita Ana Tarouco e do vice-prefeito Evandro Gutebier pelo apoio às ações desenvolvidas pela pasta.
A situação no entorno do Lago Batuva segue sendo acompanhada pela secretaria, que afirma manter as intervenções e as articulações em andamento.
Preservação do espaço público exige debate e responsabilidade compartilhada
A situação registrada no entorno do Lago Batuva evidencia a necessidade de ampliar o debate público em Sant’Ana do Livramento sobre o cuidado com os espaços coletivos da cidade. O problema vai além da limpeza urbana e envolve a forma como áreas públicas são utilizadas, valorizadas e preservadas no cotidiano.
Espaços como o lago, praças e áreas de lazer fazem parte do patrimônio urbano e cumprem função social importante. Quando esses locais passam a ser impactados pelo descarte irregular de resíduos ou por outras formas de depredação, toda a cidade perde — ambientalmente, socialmente e em sua imagem.
O acúmulo de lixo compromete a qualidade ambiental, favorece riscos à saúde pública e enfraquece o vínculo da população com seus próprios espaços, o que exige não apenas atuação operacional, mas também mudança de comportamento e fortalecimento da consciência sobre o uso do que é público.
Nesse contexto, a Secretaria de Serviços Urbanos informa que pretende fortalecer as ações de conscientização, em articulação com o Dema e a Acil, por meio de campanha de alcance municipal, instalação de placas educativas e ampliação de lixeiras. A secretaria também ressalta que parte dos resíduos encontrados deveria ser destinada ao ecoponto do Curralão, reforçando a importância de ampliar a informação sobre o descarte correto.
Mais do que um problema localizado, o caso do Lago Batuva revela um desafio urbano que envolve educação ambiental e compromisso com o espaço comum. A preservação dos espaços públicos passa pela atuação do poder público e pela participação responsável da comunidade.
O lago é público.
O prejuízo também.
