No coração da Fronteira da Paz, onde o Pampa sustenta uma cultura compartilhada e o cotidiano se constrói em um território de encontros, o Jornal A Plateia celebra 89 anos de existência. Mais do que um marco temporal, a data sintetiza uma trajetória marcada pela permanência, pela resistência e pelo compromisso com a informação. Ao longo de quase nove décadas, A Plateia não apenas noticiou os fatos: registrou, interpretou e acompanhou de perto a vida de Sant’Ana do Livramento, ampliando, ao longo dos anos, seu diálogo com a cidade vizinha e passando a falar também aos riverenses, em sua edição em espanhol, tornando-se parte fundamental da identidade da fronteira.
O valor da credibilidade
Em um cenário marcado pela velocidade da informação e pela multiplicação de conteúdos efêmeros, A Plateia construiu reconhecimento como referência de jornalismo responsável no interior do Rio Grande do Sul. Sua posição como um dos veículos mais respeitados da região não se sustenta em discurso, mas na prática diária da apuração, da checagem e do compromisso editorial. Para a comunidade, a presença de uma notícia no jornal A Plateia representa segurança informativa, contexto e responsabilidade no tratamento dos fatos.
Esse reconhecimento se expressa também na relação cotidiana com o poder público local. A presença frequente de lideranças políticas nas páginas e estúdios do veículo reforça o papel de A Plateia como espaço legítimo de informação, debate e prestação de contas à comunidade.
Um dos episódios simbólicos desse reconhecimento ocorreu em dezembro do ano passado, quando o governador Eduardo Leite visitou as instalações do Grupo A Plateia. A entrevista concedida à rádio RCC, integrante do grupo, evidenciou o papel institucional que o veículo exerce na região de fronteira, com repercussão além do contexto local.
História e resistência
A trajetória de A Plateia também é marcada por períodos de enfrentamento e defesa da liberdade de expressão. Elmar Bones, o “Bicudo”, viveu e participou diretamente desses momentos. Jornalista, ex-diretor e proprietário do veículo, iniciou sua carreira ainda jovem, aos 17 anos, como revisor.
Ao relembrar o período da ditadura militar, o jornalista descreve um contexto de perseguição, cerceamento e asfixia financeira, resultado da postura democrática adotada pela direção do jornal à época. Inserido em um ambiente de restrições à liberdade de expressão, o veículo enfrentou a perda de anunciantes e a ameaça constante de silenciamento. Mesmo sob pressões severas, manteve sua linha editorial e a defesa do direito à informação, atravessando um dos períodos mais delicados de sua história.
Já no início da década de 1980, A Plateia voltou a enfrentar o risco concreto de encerrar suas atividades. Foi nesse cenário que Elmar, ao lado dos jornalistas Danilo Ucha e Kenny Braga, assumiu a responsabilidade de manter o jornal em circulação. Sem recursos financeiros e com pouca experiência administrativa, mas movidos pela convicção de que o veículo era essencial para a comunidade, lideraram um esforço coletivo de recuperação.
A mobilização envolveu leitores e anunciantes, permitindo a retomada da circulação diária. Hoje, ele mantém carinho e respeito pelo Grupo A Plateia, reconhecendo o valor de preservar esse patrimônio informativo e cultural da fronteira.
Escola de talentos
Ao longo de sua história, A Plateia consolidou-se também como espaço de formação profissional. A redação funcionou, por décadas, como ambiente de aprendizado, onde profissionais deram os primeiros passos na carreira e construíram trajetórias duradouras.
Entre esses profissionais está Rodrigo Evaldt, que ingressou no jornal aos 16 anos e construiu uma trajetória de nove anos no Grupo A Plateia. Iniciou como repórter de política, passou pela TV A Plateia e Rádio RCC e, nos últimos seis anos, atuou como chefe de redação. Ao longo desse período, teve acesso a experiências singulares, incluindo a participação em duas edições do South Summit, na Espanha, refletindo a aposta do veículo em jovens talentos e na ampliação de horizontes editoriais. Atualmente, Rodrigo atua como repórter na RBS, levando para outros espaços a formação construída na redação de A Plateia.
À frente desse mesmo processo, ainda jovem, está o editor-chefe Yuri Cardoso, que ingressou no jornal também aos 16 anos e construiu toda a sua trajetória dentro do veículo. Da base da redação à liderança editorial, Yuri representa uma geração formada internamente, assumindo responsabilidades editoriais com maturidade e critério, e consolidando-se como uma das principais referências do jornal na condução da rotina editorial.
“É uma honra imensa fazer parte da história do Jornal A Plateia, que completa 89 anos de compromisso com a informação e com a comunidade. Um veículo que sempre abriu portas para profissionais em formação, acreditando, incentivando e construindo trajetórias, assim como fez comigo desde os meus 16 anos. A Plateia encanta a todos que por aqui passam pelo seu compromisso com a transparência, a imparcialidade e, sempre, com pitadas de solidariedade, valores que fortalecem o vínculo com seus leitores. Ao longo de quase nove décadas, o jornal se consolidou como referência, sem jamais perder sua essência comunitária”, afirma.
O editor também agradece a todos que ajudaram a construir essa trajetória e à equipe atual, responsável por manter vivo o legado do jornal. “Desejo muito sucesso e êxito ao Jornal A Plateia, que considero minha segunda casa e da qual tenho orgulho de fazer parte”, completa.
Os novos tempos
Se a história de A Plateia é marcada pela resistência e pela formação de gerações, seu presente e seu futuro se constroem na capacidade de adaptação sem perda de identidade. O jornal, pioneiro ao se tornar o primeiro veículo bilíngue do interior do Rio Grande do Sul, ampliou sua atuação para além do papel, com presença consolidada no ambiente digital.
Esse movimento de preservação do jornal impresso, aliado à expansão digital, é conduzido de forma decisiva pelo diretor-presidente Antônio Badra, que adquiriu o Jornal A Plateia no ano 2000 e, desde então, atua diariamente para garantir a continuidade do impresso em um cenário nacional de retração desse formato. Esse compromisso se reflete, inclusive, em resultados concretos: no último ano, o jornal ampliou o número de páginas, reforçando sua presença editorial e sua relevância junto à comunidade. Ao seu lado, o diretor-geral Kamal Badra e a diretora administrativa Janete Badra, incansáveis na condução cotidiana do veículo, exercem papel fundamental na organização, na estabilidade e no funcionamento diário do jornal, assegurando as condições necessárias para que a redação cumpra seu papel informativo com qualidade e regularidade.
“A Plateia é tradição no impresso, mas também acompanha a evolução tecnológica, investindo constantemente em inovação e marcando presença nas redes sociais para informar cada vez melhor seus leitores”, pontua Yuri Cardoso. Essa visão de futuro, aliada ao respeito pelo passado, sustenta a relevância do jornal em um cenário de transformações tecnológicas e sociais permanentes.
Olhando o futuro
Ao completar 89 anos, o Jornal A Plateia reafirma sua permanência como um veículo ativo no cotidiano da Fronteira da Paz, atento às transformações do seu tempo e comprometido com o papel que exerce na vida prática da comunidade que informa diariamente. A proximidade dos 90 anos não é apenas um marco simbólico, mas a confirmação de uma trajetória construída com responsabilidade, adaptação e presença constante nos momentos decisivos da região.
Mais do que um jornal, A Plateia consolidou-se como espaço de referência para a vida local e regional. Ao longo de sua história, acompanhou transformações, registrou acontecimentos decisivos e esteve presente tanto nos grandes fatos quanto nas histórias que formam o dia a dia de Sant’Ana do Livramento, contribuindo para a construção da memória coletiva.
Esse legado também se manifesta no cotidiano do Grupo A Plateia. A rotina intensa da redação e das demais áreas é sustentada por relações de cooperação, diálogo e confiança. Há desafios e exigências próprias do jornalismo, mas prevalece uma cultura de respeito e pertencimento, na qual profissionais constroem trajetórias, aprendem juntos e se reconhecem como parte de um projeto comum.
O compromisso com a imparcialidade, o rigor editorial e a responsabilidade com a informação seguem orientando cada edição e cada publicação. Em uma cidade de porte médio, manter um veículo de comunicação relevante exige mais do que estrutura: exige vínculo, escuta e coerência diária. A Plateia demonstra, no exercício cotidiano do jornalismo, que é possível cumprir esse papel com solidez, mantendo-se fiel à sua identidade e à confiança construída com seus leitores ao longo do tempo.
Ao avançar rumo às próximas décadas, o jornal segue consciente de sua história, atento às transformações do presente e preparado para continuar exercendo seu papel como espaço de informação confiável, debate público e representação da identidade da Fronteira da Paz.
