seg, 24 de junho de 2024

Variedades Digital | 22 e 23.06.24

O MAIOR LIVRO DE TODOS OS TEMPOS

Buenas!

Depois de falar da maior enchente da história do RS, vou falar do maior livro de todos os tempos: “Memórias póstumas de Brás Cubas”. O livro de Machado de Assis, publicado em 1881, virou o assunto mais comentado do mês de maio, após uma enxurrada de comentários nas redes sociais.

Claro que não superou nem de longe a visibilidade do martírio do RS, as reportagens e postagens sobre o dilúvio que arrasou cidades, bairros e vidas, assunto e águas que ainda tomam conta de casas e de pessoas por todos os lados…

Contudo, falar de literatura neste momento não é uma fuga, é um alento, diria até que é um acalento para gente tão maltratada. Algumas delas com água em suas casas, outras tiveram suas almas inundadas pelo noticiário ou redes sociais, imagens tristes e embarradas que nunca serão esquecidas, ao menos para mim.

E não fui eu quem começou, foi Courtney Novak, uma americana de 45 anos. Ela postou um vídeo com suas impressões sobre sua leitura de uma das obras-primas de Machado de Assis.

Eu sou do tempo que, para saber de um livro, era preciso ler um livro. Hoje, pessoas veem vídeos, baixam resumos, curtem comentários, assistem esquetes explicativas, para, quem sabe, encarar a leitura. Essa americana leu e se deslumbrou. “Por que ninguém me avisou que este é o melhor livro de todos os tempos?”, disse, com nítida ênfase e assombro.

Sim, caros amigos, ela disse isso, uma pessoa com acesso a “Hamlet”, de Shakespeare, e a “Moby Dick”, de Herman Melville, na sua língua original, dentre outros tantos clássicos, leu uma tradução do autor brasileiro e gravou um vídeo, elogiando a tradutora e mostrou-se estupefata com a obra machadiana.

O vídeo fez tanto sucesso, que alavancou as vendas do livro no site americano da Amazon, além muitos amigos e primos me pedirem dicas de boas edições brasileiras para eles, com certa vergonha, lerem o livro que “pularam” nos tempos colegiais.

Como fui professor de literatura por muitos anos, paralelo à profissão de policial, carrego comigo o mérito por ter instigado o amor ao autor brasileiro em muitos jovens, hoje leitores vorazes da obra dele e de outros tantos.

Porém, como forma de conquista e identificação, antes de introduzir o Bruxo do Cosme Velho, aos alunos, confessava: “nunca li um livro de Machado de Assis no colégio!” Sim, espantados leitores – para usar uma expressão usual de Machado –, eu só li o maior autor de todos os tempos na faculdade de Letras, o que foi a minha sorte. Sabem por quê? Vou explicar.

Eu era um leitor voraz, mas lia só o que eu queria, não o que o professor me mandava, teimoso que era, como todo adolescente que se preze. Ao encarar Machado de Assis na faculdade, pude fazê-lo com dedicação e certa maturidade, apesar de todos os outros afazeres que a vida de adulto nos impõem.

E, contando com a orientação de bons professores, pude, como a leitora americana, deslumbrar-me com cada parágrafo, com cada chiste, com cada preciosidade  do autor. Pude degustar momentos de epifania, atingir o nirvana da leitura a cada descoberta que fazia por entre as palavras do defunto-narrador Brás Cubas…

Como professor, fui “obrigado” a reler o livro muitas vezes, imitando, a cada leitura, o mestre: “Eu gosto de catar o mínimo e o escondido, onde ninguém mete o nariz. Aí entra o meu, com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto.”, disse Joaquim Maria Machado de Assis, certa feita.

“Memórias póstumas…” não é uma obra datada ou criada para o consumo de uma leitura meramente fruitiva, apesar de que isso possa ser feito sem nenhum problema.

Quando dava aulas, antes de iniciar a leitura de “Brás Cubas” ou “Dom Casmurro”, perguntava aos alunos: – ‘Trouxeram os dois sacos de milho ou de pipoca que eu pedi?’ Espantados, perguntavam o porquê, ao que eu respondia: – “Para nos ajoelharmos no milho e, devotamente, venerarmos cada página que o cidadão Machado de Assis teve a benevolência de nos agraciar com seu talento e arte.”

Apesar de manter meu olhar sério, eles riam. Hoje, se ainda em sala de aula, diria: estes dois livros não poderiam ser obrigatórios no colégio, pois ainda não temos maturidade suficiente para eles. Talvez liberaria a leitura, com o compromisso de releitura obrigatória a cada cinco anos e com aplicação de prova discursiva sobre eles!

Diferente daqueles que criticaram os que precisaram do comentário de uma americana para dar crédito ao “Memórias Póstumas”, digo que não importa quem falou, mas importa a emoção com que ela descreveu a sua impressão do livro. Como uma pedra num lago parado, seu vídeo gerou uma onda de novas leituras e leitores.

Foi isso que me motivou a ser professor por tanto tempo, que me motiva a escrever e falar sobre livros, que me faz segurar lágrimas furtivas só por lembrar das leituras que fiz, algumas em sala de aula, quando, sem sucesso, tentava disfarçar diante dos alunos a emoção arrancada por uma trecho primoroso, por uma frase única em obras de arte, como o são os livros de Machado de Assis.

E, agora que terminei, me dei conta, que não falei uma palavra de como é o livro, só sobre o impacto da leitura! Querem saber do livro, leiam! Talvez, vá lá!, quem sabe, falarei mais outro dia..

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