ter, 25 de junho de 2024

Variedades Digital | 22 e 23.06.24

A MAIOR ENCHENTE DA HISTÓRIA

Buenas!

O Rio Grande do Sul vive, para tristeza geral da nação, a maior tragédia ambiental de sua história! Talvez, a maior tragédia da história do país. Só o tempo e os cientistas dirão, num futuro próximo. E haverá futuro, não para todos, mas para a maioria, felizmente.

Felizmente é uma palavra difícil de usar neste momento, ainda mais para os afetados pela maior enchente da história, ou seja, mais de 70% da população gaúcha. Nunca antes tanta água caiu com tanta força no estado, nunca antes tanta água arrasou tantas cidades, nunca antes o nível dos rios da serra e da região metropolitana subiram com tanta intensidade, nunca antes tanta gente foi atingida, tantas cidades arrasadas, tantas vidas foram perdidas,nunca antes tanto se perdeu…

Em setembro, enchentes avassaladoras passaram por cima de muitas cidades gaúchas, como se de papelão fossem. Em novembro, o muro da avenida Mauá, em Porto Alegre, foi testado. Construído nos anos 1960 para conter enchentes após a maior de todas alagar a capital em 1941, mostrou-se forte. Agora, as águas voltaram, não as de março, mas as da enxurrada sem fim…

Foi tanta chuva na serra e região do vale do Taquari, que cidades arrasadas há pouco mais de seis meses, foram destruídas de novo, com mais força desta vez. Outras, que tinham sido atingidas de leve, sofreram muito com a força destas mesmas águas.

Dezenas de cidades, rodovias e comunidades foram destruídas. Milhares de pessoas ficaram isoladas, milhares perderam tudo, muitas perderam suas vidas. As águas não ficam paradas, elas correm para onde é mais fácil seguir, uma lei da física.

E chegaram na região metropolitana em busca do lago Guaíba, que iria levá-las para a lagoa dos Patos e, enfim, ao oceano Atlântico. Mas eram tantas e elevaram o nível dos rios com tal velocidade, que surpreendeu milhares de pessoas em municípios como São Leopoldo, Canoas, Eldorado do Sul e em diversos bairros de Porto Alegre, dentre outras localidades.

Muitos arrasados, psicologicamente, uma boa parte, fisicamente, sem um lar, sem roupas para aquecer, mas com algum calor humano, quando chega o resgate e vão para os abrigos. São tantos abrigos e doações que fica difícil contabilizar. Mas há um colchão, uma marmita e um cobertor para a maioria que chegam nos locais de acolhimento.

O problema é quando o resgate demora para chegar. Trabalhei quando as águas começaram a subir, atendi centenas de ligações, ouvir pessoas pedindo resgate, desesperadas, e tendo que direcionar equipes para os locais, incertos, por rios que outrora eram ruas, sem pontos de referência, não é tarefa fácil.

Acolhemos centenas de pessoas nos postos da PRF, pois ficam estrategicamente em locais mais altos. Mesmo assim, diversas delegacias policiais ficaram debaixo d’água. Policiais civis, militares e bombeiros de todas as matizes, além de milhares de voluntários, se revezaram na tentativa de ajudar aqueles que precisam, que estavam em áreas de risco e com alagamentos que atingem o teto de suas casas. No segundo andar.

Para complicar ainda mais, médicos, enfermeiros e policiais precisam ir trabalhar mas são retidos porque rodovias estão completamente alagadas, quando não, destruídas. A busca por caminhos alternativos, por rodovias que não viraram lagoas ou rios, muitas vezes gera frustração.

E no atendimento aos pedidos de resgate, dizer para a pessoa esperar, que uma hora vai chegar o resgate, por favor, tenha paciência, não é tarefa simples.

Mas é um momento de boa vontade e dedicação, onde muitos se ajudam, usando barcos particulares, colchões infláveis e as forças de resgate ajudaram muita gente. Todo o país se comoveu com o caso do cavalo Caramelo, um exemplo de resiliência. Sua imagem correu o mundo.

Mas um caso em especial me chamou a atenção, dentre tantos outros de dedicação e altruísmo anônimo. Um jovem com cabelo samurai chegou ao posto policial e, enquanto eu orientava uma senhora e dava roupas secas doadas pela comunidade, perguntou de caminhos para chegar em uma casa. Disse que estava tudo alagada naquela região, não tinha acesso. Ele sorriu, agradeceu e saiu.

Algum tempo depois pediu para eu guardar a chave do carro dele e saiu correndo. Não entendi muito bem o que falou, o telefone de emergência tocando e as doze pessoas na sala impediam a correta compreensão de tudo à volta.

Quase uma hora depois, ele aparece pedindo a chave. E eu: “Que chave?”, esquecido dele devido às centenas de pedidos por telefone e presencial nesse intervalo. “Do meu carro!” Nisso, reconheci e entreguei a chave para ele, que estava com uma criança no colo, enrolado num cobertor.

Perguntei qual a altura da água nas casas. Mostrou a camiseta molhada até o pescoço e sorriu, fazendo um gesto de ‘deixa para lá!’, enquanto acolhia a criança melhor e dava o braço para o senhor idoso que o acompanhava…

Sei que isso é pouco, sei que muita gente deve ter feito muito mais, sei também o quanto isso foi importante para aquele idoso e a criança, muito mais foi para aquele jovem.

Penso que, o que será colhido desta hecatombe, além das imagens terríveis das cidades arrasadas e das vidas arrasadas, ficará uma pontinha de esperança de que a sociedade, apesar do aquecimento global, apesar dos furtos que estão ocorrendo em casas alagadas e vazias, apesar das brigas em redes sociais, de acusações de culpados e de fake news, apesar dos pesares, ainda podemos ter esperança na espécie humana.

Ao menos, esperança em alguns humanos…

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