qua, 22 de maio de 2024

Variedades Digital | 18 e 19.05.24

SE É PARA DESCONECTAR, QUE SEJA COM UM LIVRO!

Buenas!

 

Verão tá aí e a gente tá fazendo o quê? Sobrevivendo ao calor extremo, que é o que nos resta. Já receberam a conta de luz de dezembro? A minha veio astronômica, já que o ar condicionado não é mais luxo, é artigo de primeira necessidade. E, como me propus a começar o ano menos dependente da tecnologia – menos do ar condicionado, é claro –, bora pensar em começar o ano com um bom livro na mão?

Não vou falar de minhas leituras atuais, pois ando fazendo umas pesquisas técnicas, que exigem obras de história e biografias, que recomendo com ênfase. Claro que faço consultas rápidas ao Google ou Wikipedia quando quero saber algo de alguém, mas sentar com um livro na mão, nos leva bemmmm mais longe, garanto!

Aliás, farei isso, darei dicas de boas biografias para leitura neste verão. Elas servem como entretenimento e, também, para conhecermos grandes figuras da história, podemos aprender um pouco com vidas de grandes personalidad.s. Afinal, ao ler um livro, além de ver o tempo passar por entre as páginas, levamos conosco as vivências de quem está no papel.

Brasileiros relevantes há vários, mas que ganharam biografias dignas, são poucos. Vinícius de Moraes está entre eles, com toda a certeza. A biografia escrita por José Castello vale a leitura. A vida do poetinha, como ele era chamado carinhosamente pelos amigos, merecia um compêndio do tamanho de suas aventuras.

Vinícius foi um dos maiores bon-vivant que o Rio de Janeiro já viu surgir. Estudioso, formou-se em direito e passou em concurso para a diplomacia. Morou em Paris e Los Angeles, onde fazia amizade fácil com gente do quilate de Orson Welles, um dos maiores nomes do cinema de todos os tempos. Recomendo a leitura do livro, pois viajamos pelo século XX e pelos oito casamentos de Vinícius, pelo seu retorno ao Brasil, sua parceria com Tom Jobim e acompanhamos a criação da Bossa Nova, o maior cartão postal do brasileiro no estrangeiro, além do Pelé, é claro.

Falando em grande brasileiro, recomendo a leitura de “O anjo pornográfico”, escrita por Ruy Castro, sobre a vida de Nelson Rodrigues. Se vocês têm menos de quarenta anos, tua mãe não deve ter deixado assistir os episódios de “A vida como ela é”, que passavam no Fantástico, tarde da noite. Mas se viu, nunca mais esqueceu, não é.

Uma das melhores que já li na vida, impossível esquecerá a verdadeira peça de teatro tragicômica que foi a vida de Nelson. Tragédias, mortes, traições, tudo transformado em arte literária, tanto em crônicas e contos, assim como em teatro. E tudo do melhor! Ele praticamente inventou o teatro brasileiro, com “Vestido de Noiva”, além de ter sido um dos maiores cronistas de jornal deste país. Leiam a biografia e, claro, seus livros, como “À sombra das chuteiras imortais”.

Aliás, Ruy Castro é um dos melhores autores de biografias. Ele escreveu “Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha”, além de diversas obras “biografando” a MPB como: “Ela é carioca”, “Rio Bossa Nova” e “Chega de Saudades”, dentre outras tantas maravilhas.

Mas uma biografia que vale muito a pena, é “Leonardo da Vinci”, de Walter Isaacson. Li diversas obras sobre o maior homem de todos os tempos, o toscano Leonardo, e a obra de Isaacson, além de bem escrita é muito bem ilustrada. A maioria das pessoas conhece a “Última Ceia” e a “Mona Lisa”, mas,com a leitura desta biografia, saberá que Leo foi muito além, descobriu detalhes do corpo humano e do voo das aves, por exemplo, que só vão entrar para os livros dois ou três séculos depois de sua morte.

Uma das melhores que já li foi “Balzac”, de Stefan Zweig. A obra é antiga, mas vale cada página, pois além de muito bem escrita, apresenta a capacidade produtiva de um escritor que, além de um dos mais profícuos, foi um dos mais persistentes e revolucionários que já surgiram. Demorou mas conquistou sem quinhão literário, além de ser um sedutor de mulheres, não importa se casadas, sempre pronto para um duelo de espadas, tendo na outra mão suja de tinta a pena pronta para redigir maravilhas.

Ainda não li, mas estou interessado no calhamaço de mais de 700 páginas, “Napoleão, o homem por trás do mito”.  O autor, Adam Zamoyski, não poupou informações sobre a vida de um dos maiores homens da história humana. O filme recente aguçou mais ainda o interesse.

Bem, poderia ficar aqui citando obras e falando dos autores e seus biografados por muito tempo, mas a crônica tem seu limite. Os livros acima são sugestões de leitura, se não gostou de nenhum destes – o que acho difícil –, escolha um do seu agrado, largue o celular um pouco e bom proveito. Assim, provaremos ao nosso eterno Mário Quintana que somos alfabetizados, afinal: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem!”