sáb, 25 de junho de 2022

Aplateia Digital 25 e 26/06/22

Última Edição

Estes são eles… Mas quão humanos!

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Buenas!

 

            Caríssimos e estimados leitores, como sabem bem, vez ou outra faço recomendações literárias ou cinematográficas por aqui. Dessa vez, digo para não assistir a série “This is us”.

Se já viram, conhecem bem meus motivos, se não, largue o controle remoto, abra um livro de aventuras, ou vá ao cinema ver um filme com aviões, bombas e explosões. Eles são diversão garantida e deglutível durante o momento em que o assistimos. Já esta série, é difícil demais esquecê-la, ela nos consome, pois fala também de nós, não só deles. Us, em inglês, significa nós, mas, também, United States, de USA.

Eu muito relutei, resisti às recomendações fervorosas, não queria ver mais um drama familiar norte-americano, já me basta viver diariamente como um latino-americano, galáxias distante do representado nos televisivos que invadem nossas telas caseiras em tempos de serviços on-line. Musa do arrependimento de Hamlet, se pudesse voltar atrás não estaria escrevendo sobre a família Person…

Encarei o primeiro capítulo firme, afinal precisava ter uma noção do que tratava. Porém, após derramar hectolitros de lágrimas, parti para o segundo, terceiro capítulos, quarta, quinta, enfim, meses depois, para a sexta e última temporada. Enfim, admito, mordi a língua, desidratei oceanos, restei tão saudoso e apaixonado pela família Pearson como nunca imaginaria que pudesse acontecer.

Como resumir as mais de cem horas – eu disse 100 horas! – que compreendem as seis temporadas em uma frase? Talvez possa fazê-lo em uma palavra, pois eles resgataram um sentimento tão importante e simples: fizeram-me recuperar a sensação de que posso confiar em nossa humanidade!

Deixe-me contar um pouco, tentarei não entregar muita coisa, caso não sigam minhas recomendações e resolvam assistir. Caso tenha bom senso, o leitor irá largar o texto, encarar a fila do cinema e, como eu, assistir o blockbuster dos caças americanos. Sairá de lá com duas certezas: o filme passa uma emoção boa e rápida e terá certeza que Tom Cruise é um vampiro imortal, afinal, não envelhece. Mas, se quiser saber um pouco mais porque não devem assistir esta série, vamos lá.

Começa com um jovem casal, Jack e Rebecca Pearson. Ela está grávida, barriga imensa, mas o marido insiste em transar com ela, afinal, é seu aniversário de 36 anos e ele a deseja de qualquer jeito. Ela espera trigêmeos e, sem aviso prévio, surge um ator loiro, alto e bonitão, mas que parece um tanto insatisfeito, mesmo sendo famoso; uma mulher brigando com a balança, com visível obesidade; e um homem negro bem sucedido. A única coisa que os unifica é que os três estão fazendo trinta e seis anos, a mesma comemoração de Jack.

Cenas distintas e heterogêneas, que ficarão muito mais, com o passar do tempo. Tempo, o ingrediente que os redatores da série melhor aproveitaram. Ela vai e volta no tempo a todo momento, sem aviso, mas com costuras que instigam a imaginação, deixando perguntas no ar, dando pinceladas numa cena do que será elucidado, muitas vezes, somente no final da temporada, prendendo a atenção de quem assiste…

Pergunta um de meus atentos leitores: como assim um negro, uma obesa, um loiro? Pois bem, aqui entra com força a humanidade citada acima. Explico um pouco mais. O criador da série concebeu-a de forma que ela fosse abrangente, abordasse aspectos dos mais diversos da sociedade americana, indo além das relações interpessoais dentro de uma família tradicional, por mais sui generis que esta família possa ser, como é o caso da família Pearson.

Essa humanidade transparece em vários momentos na série, não só em atitudes boas, também nos defeitos que cada um apresenta, que não são escondidos, mas colocados para o debate.

Vou listar alguns exemplos que podem servir para nossas famílias, mesmo que você não assista a série. Há uma paixão indiscutível entre o casal principal da série, mesmo diante das dificuldades financeiras e com a preocupação diante da educação e das diferenças entre os filhos. Eles se dedicam cento e dez por cento aos filhos, abrindo mão de sonhos da juventude, se adaptam às dificuldades que vão surgindo, mantendo o foco primário em sua família, preenchendo toda e qualquer lacuna com muito amor e uma dose perene de humanidade…

Comentei com minha irmã que homens como o pai de família Jack Pearson só existem na ficção. Ela negou veementemente, dizendo que existem, ao menos, algumas partes nos homens de hoje em dia. São raridade, é claro, mas existem. Existe uma extensa gama de personagens espetaculares que surgem ao longo da série, minha vontade é ficar falando de todos eles aqui e suas características, mas saibam que Jack é o centro nervoso da série, além de servir de modelo aos filhos e amigos.

Se falar mais, darei informações em demasia para quem resolver assistir. O roteiro aborda dilemas existenciais de amplo expectro: como ser homem ou mulher ao longo dos tempos, como ser pai ou filho, passando por adoções e sua complexidade, por homosexuais, por negros, obesos, alcoólatras, crianças, cegos, idosos, pelo engajamento político, economia, inclusive, a pandemia e suas agruras e a temática onipresente da cultura norte-americana: a guerra do Vietnã e suas sequelas…

Após encerrar a maratona que perdurou meses a fio, posso afirmar que as personagens possuem virtudes e defeitos, e não há como julgar quando erram nem incensar quando acertam. E sabem por quê? Porque eles são tão humanos quanto us, digo, nós. Há um defeito na série: todos cometem erros, vez ou outra, porém nunca por maldade. E nisso mora a sua beleza, faz suspirar com a improvável possibilidade de que poderíamos ser assim também…

Volto a reiterar: não assistam a série! Ela ficará em sua mente durante a maratona, mais ainda quando findar e os deixar órfãos e saudosos. Contudo, a teimosia é nossa virtude primária – lembram de Adão e Eva? – se o fizerem, reforcem o estoque de pipoca, água e lenços, muitos lenços. Não há quem não saia desidratado, por mais que tentem disfarçar aquela lágrima fugidia escorrendo por entre um suspiro profundo e um sorriso sem dentes, de pura de felicidade inocente…

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