Mérito
Farroupilha ao ministro da Justiça
Tarso Genro
Nos reunimos neste dia 13
de novembro,no salão Júlio
de Castilhos da Assembleia Legislativa para
realizar uma homenagem ao ministro Tarso
Genro, conferindo-lhe a honraria máxima
deste Parlamento, a Medalha do Mérito
Farroupilha, em reconhecimento a sua exitosa
trajetória política, prestigiando
sua competência como gestor público,
sendo testemunhas de uma sólida e
respeitada carreira profissional e registrando
a satisfação e a alegria de
convivermos, com tão digna e sensível
figura humana. E a um só tempo, também
partilhando com ele significativas experiências
políticas da esquerda com dilemas
e instigações acerca dos grandes
inquietações do nosso tempo.
Uma tão respeitada e admirada figura
humana poderia ser ressaltada e percebida
por vários aspectos. Seja por já
em tenra idade ter sido um ativo resistente
ao regime militar e atuante lutador pela
redemocratização de nosso
país. Ou quem sabe por respeitado
parlamentar e um dos grandes prefeitos da
nossa capital, que colaborou em muito para
colocá-la no mundo, em plena época
do hegemonismo do caminho único.
Mostrando-nos que era possível combinar
a representação tradicional
com a participação direta
do seu povo, ao mesmo tempo que era necessário
recuperar as funções públicas
de Estado. Ou mesmo por ser um dos mais
qualificados e reconhecidos gestores público
deste país, nestes quase oito anos
da exitosa Era Lula, dando uma contribuição
decisiva aos rumos do governo e ao partido,
principalmente nos momentos mais difíceis.
Valendo lembrar o legado construído
para o país, quando esteve à
frente do Conselho de Desenvolvimento, da
articulação e da concertação
política e as marcas de fundamentais
e reais políticas públicas
em curso, tais como o PróUni e a
expansão do ensino superior e técnico,
bem como o Pronasci para enfrentar um dos
principais dilemas de nossa época,
qual seja, a insegurança pública.
Ou ainda por sua atuação profissional,
que tornou-o referência nacional e
internacional no campo do direito, especialmente
na área do direito do trabalho, onde
seus livros, artigos e publicações
são a expressão deste enorme
reconhecimento.
Peço permissão para destacar
talvez um predicado que é emblemático
desta tão digna e virtuosa trajetória,
que honra este Estado.
Falo aqui de uma das determinações
deste ousado político-pensador de
esquerda, que foi de nos provocar, e nos
ensinar permanentemente, que a boa prática
política é indissociável
do debate e, sobretudo, da reflexão
teórica.Em meio à ditadura,
quando tive a grata satisfação
de conhecê-lo na nossa querida Santa
Maria e, na seqüência, aqui na
capital gaúcha, no velho e saudoso
IEPES, ele já era um incansável
afirmador e reafirmador de que a filosofia,
a sociologia, a economia, a literatura e
as artes eram decisivas para armar pensamento
daqueles que querem transformar o mundo.
Fosse para enfrentarmos, do ponto de vista
teórico-prático, as grandes
indagações e reflexões
acerca dos dilemas do nosso tempo. Fosse
por constituírem momentos de conhecimento
da humanidade. Tanto pela necessidade de
compreender as experiências vividas
pelos que nos antecederam, como para projetar
sentido e conteúdo de futuro para
as gerações que nos seguirão.
Mas, também, para fazer com que as
ações políticas que
travamos, tenham a capacidade de interferir
na ordem injusta e excludente de nossa sociedade,
sem despregar de forma concreta, da origem
das nossas relações sociais,
de onde alimentamos e emergem nossos compromissos
e convicções com um novo mundo
e um novo homem.
Posso afirmar aqui, sem medo de errar, que
o ministro foi decisivo para forjar uma
geração que não se
permite, até hoje, ficar indiferentes
diante das desigualdades de nossa sociedade
e frente às mazelas da contemporaneidade.
Suas convicções e escritos
apontavam que foram os limites e insuficiências
do modelo do leste europeu, onde a questão
democrática não ocupava um
valor universal, talvez o epicentro de seu
ocaso. Não se submetendo, portanto,
às simplificações ou
mesmo a subordinações adocicantes
de uma sociologia política vulgar,
como pretendiam alguns.
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