• Editorial
  • Opinião
  • Charge do dia
  • Imagem do dia
  • .. EDITORIAIS
  • Geral
  • Executivo
  • Rural
  • Esportes
  • Policía
  • Espanhol
  • .. COLUNAS
  • Chimarreando
  • Câmara de Vereadores
  • Duda Pinto
  • Realidade On-line
  • .. SERVIÇOS
  • Ônibus Intermunicipais
  • Telefones Úteis
  • Links Úteis
  • .. A PLATÉIA
  • Quem Somos?
  • Nossa Equipe
  • Ranking dos Jornais/RS
  •  























     


     

    Mérito
    Farroupilha ao ministro da Justiça Tarso Genro

    Nos reunimos neste dia 13 de novembro,no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa para realizar uma homenagem ao ministro Tarso Genro, conferindo-lhe a honraria máxima deste Parlamento, a Medalha do Mérito Farroupilha, em reconhecimento a sua exitosa trajetória política, prestigiando sua competência como gestor público, sendo testemunhas de uma sólida e respeitada carreira profissional e registrando a satisfação e a alegria de convivermos, com tão digna e sensível figura humana. E a um só tempo, também partilhando com ele significativas experiências políticas da esquerda com dilemas e instigações acerca dos grandes inquietações do nosso tempo.
    Uma tão respeitada e admirada figura humana poderia ser ressaltada e percebida por vários aspectos. Seja por já em tenra idade ter sido um ativo resistente ao regime militar e atuante lutador pela redemocratização de nosso país. Ou quem sabe por respeitado parlamentar e um dos grandes prefeitos da nossa capital, que colaborou em muito para colocá-la no mundo, em plena época do hegemonismo do caminho único. Mostrando-nos que era possível combinar a representação tradicional com a participação direta do seu povo, ao mesmo tempo que era necessário recuperar as funções públicas de Estado. Ou mesmo por ser um dos mais qualificados e reconhecidos gestores público deste país, nestes quase oito anos da exitosa Era Lula, dando uma contribuição decisiva aos rumos do governo e ao partido, principalmente nos momentos mais difíceis. Valendo lembrar o legado construído para o país, quando esteve à frente do Conselho de Desenvolvimento, da articulação e da concertação política e as marcas de fundamentais e reais políticas públicas em curso, tais como o PróUni e a expansão do ensino superior e técnico, bem como o Pronasci para enfrentar um dos principais dilemas de nossa época, qual seja, a insegurança pública. Ou ainda por sua atuação profissional, que tornou-o referência nacional e internacional no campo do direito, especialmente na área do direito do trabalho, onde seus livros, artigos e publicações são a expressão deste enorme reconhecimento.
    Peço permissão para destacar talvez um predicado que é emblemático desta tão digna e virtuosa trajetória, que honra este Estado.
    Falo aqui de uma das determinações deste ousado político-pensador de esquerda, que foi de nos provocar, e nos ensinar permanentemente, que a boa prática política é indissociável do debate e, sobretudo, da reflexão teórica.Em meio à ditadura, quando tive a grata satisfação de conhecê-lo na nossa querida Santa Maria e, na seqüência, aqui na capital gaúcha, no velho e saudoso IEPES, ele já era um incansável afirmador e reafirmador de que a filosofia, a sociologia, a economia, a literatura e as artes eram decisivas para armar pensamento daqueles que querem transformar o mundo. Fosse para enfrentarmos, do ponto de vista teórico-prático, as grandes indagações e reflexões acerca dos dilemas do nosso tempo. Fosse por constituírem momentos de conhecimento da humanidade. Tanto pela necessidade de compreender as experiências vividas pelos que nos antecederam, como para projetar sentido e conteúdo de futuro para as gerações que nos seguirão. Mas, também, para fazer com que as ações políticas que travamos, tenham a capacidade de interferir na ordem injusta e excludente de nossa sociedade, sem despregar de forma concreta, da origem das nossas relações sociais, de onde alimentamos e emergem nossos compromissos e convicções com um novo mundo e um novo homem.
    Posso afirmar aqui, sem medo de errar, que o ministro foi decisivo para forjar uma geração que não se permite, até hoje, ficar indiferentes diante das desigualdades de nossa sociedade e frente às mazelas da contemporaneidade. Suas convicções e escritos apontavam que foram os limites e insuficiências do modelo do leste europeu, onde a questão democrática não ocupava um valor universal, talvez o epicentro de seu ocaso. Não se submetendo, portanto, às simplificações ou mesmo a subordinações adocicantes de uma sociologia política vulgar, como pretendiam alguns.