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    Os próximos dias da pecuária

    Rotineiramente destaco que "nunca antes na história deste País" os desafios para o setor pecuário foram tantos. E o maior desafio "é que os desafios são muitos". Técnicos, financeiros, políticos, logísticos e ambientais.
    Imagino que numa ordem de prioridade a imagem da pecuária brasileira seja o maior de todos. O setor terá que provar para todos os brasileiros e para o mundo que é capaz de produzir com respeito e conservação dos recursos naturais. É preciso mostrar que não produzimos de maneira devastadora como afirmam alguns.
    A falsa impressão que fica desses tendenciosos factoides é que tudo de ruim que ocorre no mundo é culpa do boi e do produtor brasileiro. Não é mais possível aceitar passivamente essas inverdades colocadas a toda a hora, sem qualquer base técnica verdadeiramente confiável.
    É preciso comunicar o setor. Temos que contar nossas verdades. Precisamos humanizar a produção de carne, mostrando aos cidadãos urbanos que muito mais que produzir boi, pecuária de corte é uma atividade feita de pessoas, com total envolvimento familiar, homens de bem, comprometidos e engajados diariamente numa rotina pesada, em prol da segurança alimentar da nação.
    Esse é um apontamento que faço a mais de 10 anos. Com enorme atraso, parece que só agora algumas instituições estão despertando para isso.
    Duas campanhas em prol da imagem do agronegócio brasileiro estão em andamento. Uma é o movimento "souagro" que tem sido veiculado na mídia desde julho, de forma extremamente inteligente. E logo mais está chegando o programa "Pecuária do Brasil". Esses e quantos mais vierem, serão bem vindos.
    Da mesma forma é indispensável que o produtor rural brasileiro siga se beneficiando do uso do conhecimento técnico-científico, aumentando cada vez mais a adoção de tecnologias. Só o conhecimento e a tecnologia gerenciada por bons profissionais do setor é que garantem a eficiência produtiva e financeira da atividade. Precisamos produzir cada vez mais nas mesmas áreas que dispomos atualmente. Isso é fato!
    Defendo a inteligência competitiva a serviço do empresário do campo e do setor, o aumento da produtividade e o uso eco-eficiente dos recursos naturais; tudo pelo respeito e dignidade dos homens do campo, pela soberania nacional e pela segurança alimentar da nação.
    Além disso, se mantem forte o desafio de produzir uma carne macia, saudável, a preço competitivo e com baixo impacto ambiental. Como fazer isso?
    Costumo dizer que temos tecnologia e conhecimento "de sobra"; Resta emprega-lo.Nos dias atuais não temos mais espaço para o empirismo. Pensamentos e ações ineficazes devem ser deixados para trás. Nada contra o velho e o antigo. O que não podemos é defender o ultrapassado, os saberes falidos. O agronegócio moderno, tão necessário e absolutamente possível, é um dever de todos aqueles que fazem o setor.
    Temos genética disponível de excelente qualidade e tecnologia de alimentos suficientemente dominada que, aliadas ao bem estar e manejo racional de bovinos, permitem a produção de carne com todos os aspectos sensoriais desejados pelo consumidor (sabor, coloração, suculência, maciez e flavor).
    Carne saudável é com o Brasil. O Brasil dá exemplo para o mundo. Basta refletir e rememorar todos os grandes acidentes sanitários envolvendo animais (e alimentos oriudos de) mundo afora nos últimos 50 anos. Quantos deles tiveram origem ou se propagaram no Brasil? Para orgulho e por compromisso nosso, NENHUM! Neste e em outros quesitos, muitos dos que nos condenam "deveriam ter umas aulinhas com a nossa gente".
    Carne com preço competitivo já é uma questão um pouco mais sensível, pois está diretamente ligada ao cambio (que não anda nada bom para as exportações do agro brasileiro) e como isso depende de fatores de ordem macroeconômica, fica difícil orientar o pecuarista de maneira mais objetiva. Mesmo assim ficam algumas dicas: seja racional, eficiente e inteligente ao empregar qualquer recurso em seu sistema de produção, seja ele financeiro, humano ou natural. Em tempos de margens exprimidas, boa parte do que se consegue em lucratividade e competitividade é obtida através da gestão interna dos recursos. Use-os de maneira inteligente.
    E para finalizar, produzir carne com baixo impacto ambiental é uma tarefa nada difícil. Basta mais uma vez utilizar-se do conhecimento. Manejo correto de pastagens, uso adequado do solo (plantio direto, adubação e calagem), rotação de culturas, sistemas de produção integrada, preservação e recuperação das matas ciliares e não avançar sobre áreas de florestas nativas, são exemplos de possibilidades que efetivamente contribuem para um saldo positivo do cômputo ambiental.

    Diretor Executivo SIA - Serviço de Inteligência em Agronegócios | www.siaagro.com.br | Porto Alegre - RS.


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