Embora tenham naturezas
distintas, são constantes as comparações
entre o setor público e o privado
– havendo uma grande exigência
por parte da população para
que o primeiro se equipare ao segundo. E,
no que concerne à eficiência,
nada mais justo que as pessoas tenham tal
anseio. Ora, o cidadão contribuinte
merece fazer uso de serviços qualitativamente
semelhantes aos de qualquer atividade particular,
até porque arca com pesados ônus
para isso.
Mas que fatores estariam impedindo o setor
estatal brasileiro de aumentar seus parâmetros
de eficiência e agilidade? Grande
parte das dificuldades reside no excesso
de burocracia existente na legislação
administrativa brasileira, bem como na precária
infraestrutura tecnológica dos nossos
órgãos de governo. Com a lentidão
provocada pela existência de regras
muitas vezes mal desenhadas, ocorre um trabalho
redobrado nos processos da administração
pública. Além disso, os equipamentos
disponíveis quase sempre são
insuficientes ou atrasados em seu desempenho.
Veja-se, portanto: o problema não
está na existência de controles
– pelo contrário, eles são
absolutamente necessários e representam
um avanço. O nó da burocracia
brasileira reside na configuração
confusa dos diplomas legais e na carência
operacional do serviço público.
É em vista disso que, por vezes,
uma legislação avançada
acaba como aquele nobre cristal que nunca
sai da prateleira: apesar da beleza, não
vai para o mundo dos fatos.
Os órgãos de fiscalização
e controle, tais quais os Tribunais de Contas
da União e dos Estados e o Ministério
Público, são absolutamente
necessários e importantes. Diria
mais: eles sustentam uma das vigas-mestras
das modernas exigências do Estado
Democrático de Direito. Essas instituições
têm a obrigação de alertar
e barrar possíveis abusos em empreendimentos
estatais, coibindo o mau uso do dinheiro
público. A fiscalização
deve continuar e ser ainda mais fortalecida,
sempre – claro – em sintonia
com a realidade e com o princípio
universal do bom senso.
A solução da burocracia passa
pela constante busca da modernização
da gestão, o que significa investimento
em infraestrutura, em formação
humana e numa necessária adequação
legislativa. Essa, a propósito, foi
uma das grandes conquistas do nosso mandato
no governo do Rio Grande do Sul. Durante
aquele período, nosso Estado foi
pioneiro no país ao implantar o Pregão
Eletrônico, a Certificação
Digital, o ICMS Eletrônico, a Nota
Fiscal Eletrônica e os contratos de
gestão nas estatais. São instrumentos
que mudaram o perfil administrativo gaúcho,
diminuindo a despesa e aumentando a arrecadação,
a eficiência e a transparência
dos serviços prestados pelo poder
público.
A modernização da gestão
e o combate à burocracia deve ser
uma constante na agenda do setor público
nacional. Sobretudo agora, quando a conjuntura
econômica global sopra bons ventos
para o Brasil e os demais emergentes. Cada
vez mais, nosso país precisa olhar
para esse desafio. Olhar, agir e superar.
rigotto@germanorigotto.com.br.
|