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Crise grega: ainda
há muito pela frente
A última semana terminou
com pelo menos duas sinalizações
positivas para a economia mundial, especificamente
no que diz respeito ao caso da Grécia.
Na quarta e quinta-feira, em duas votações
seguidas, o primeiro-ministro George Papandreou
obteve maioria no Parlamento para implantar
um plano de austeridade de cinco anos. Foi
uma exigência da União Europeia
e do Fundo Monetário Internacional
(FMI) para liberar nova ajuda financeira
de 12 milhões de euros.
Porém, é preciso ter prudência
e evitar otimismos exagerados. Primeiro,
porque a crise grega não se resolverá
apenas com esse aporte. Suas raízes
são bem mais profundas e suas soluções
demandam maior tempo e persistência.
Segundo, porque esse problema não
é só local, senão que
se configura como o caso mais evidente de
situações semelhantes que
ocorrem na Europa. O contexto tem profundas
implicações em toda a economia
global.
Basta ver o seguinte: o pacote original
para a Grécia foi aprovado há
pouco mais de um ano, em maio de 2010. A
ideia era dar tempo para a nação
iniciar o saneamento de sua economia, reduzindo
custos e obtendo dinheiro no mercado. Mas
isso não ocorreu até agora.
Pelo contrário: a agência de
classificação de risco S&P
recentemente deu à Grécia
a pior nota de risco do mundo. Assim, o
país continua tendo diversas dívidas
a serem quitadas, mas não tem obtido
recursos para refinanciá-las. Por
isso, precisou dessa nova ajuda.
O fato é que a Grécia gastou
bem mais do que podia na última década,
e com isso pediu empréstimos pesados
e deixou a sua economia refém de
uma crescente dívida. Os gastos públicos
foram às alturas e os salários
praticamente dobraram sem fonte de financiamento
correspondente. Ao mesmo tempo, a receita
era afetada pela evasão de impostos
- deixando a nação totalmente
vulnerável quando o mundo foi afetado
pela crise de crédito de 2008. O
círculo vicioso fez investidores
relutarem em emprestar mais dinheiro ao
país. Assim, exigem juros bem mais
altos para novos empréstimos que
refinanciem sua dívida.
A saída da crise da Grécia
- e dos demais integrantes da União
Europeia - será fruto de um processo
evolutivo, não de ações
isoladas. As economias desses países
precisam reestruturar-se, adquirindo novos
parâmetros de responsabilidade - tais
como regulamentação mais rígida,
capitalização e maior alavancagem
do sistema financeiro. E claro: redução,
com urgência, do déficit público.
Isso é o mínimo para começar
inverter a lógica do declínio.
Mas ainda há muito chão pela
frente até alcançar uma melhora
significativa e segura.
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