Osvaldo Nascimento
Silva, 49 anos, motorista do Rio de Janeiro
(RJ) - Por que o senhor ainda não
autorizou a compra dos super caças?
Não há potência econômica
sem poder militar e os riscos à nossa
soberania são evidentes.
Presidente Lula - Ainda não tomamos
uma decisão a respeito justamente
pela importância que a escolha terá
sobre a capacidade de defesa e sobre o desenvolvimento
tecnológico e industrial do Brasil.
Temos que ser muito cautelosos. A FAB já
fez sua análise e pré-selecionou
três modelos que atendem às
suas necessidades técnicas. Agora
é a hora de o governo fazer a análise
estratégica, política e econômica
para apontar qual proposta trará
mais benefícios para a sociedade.
Decidimos fazer da política nacional
de defesa um eixo de desenvolvimento econômico
e de autonomia tecnológica. Vamos
bater o martelo somente depois de concluída
a análise do Ministério de
Defesa, de ouvir o Conselho de Defesa Nacional
e considerando as diretrizes da Estratégia
Nacional de Defesa. Posso adiantar que a
empresa a ser escolhida, seja qual for,
terá que se comprometer com a transferência
irrestrita de toda a tecnologia de ponta.
Adair Syrio Júnior, 28 anos, comerciante
de Caeté (MG) - A BR-381, no trecho
entre Belo Horizonte e Vitória, tem
tido tragédias dia-a-dia, e os governos
vêm prometendo soluções
ano a ano. Mas as mortes continuam. Nós,
que perdemos parentes (eu perdi meu irmão,
Auberty Silva Syrio, 25 anos), protestamos.
Até quando teremos que conviver com
essa insegurança?
Presidente Lula - Só esclarecendo,
Adair: a BR-381, num de seus trechos liga,
na verdade, Belo Horizonte com o Norte do
Espírito Santo, passando pela cidade
de Governador Valadares. Não é
o melhor caminho para se ir da capital mineira
à capital capixaba. A ligação
direta BH-Vitória é feita
pela BR-262. Há um trecho comum,
entre BH e João Monlevade. As duas
rodovias nos causam grande preocupação
e têm merecido toda a atenção.
Já tínhamos iniciado o processo
de concessão para a duplicação
da BR-381, entre BH e Governador Valadares.
Mas, na semana passada, concluímos
que o melhor é realizar as obras
através do DNIT. Decidimos então
cancelar a concessão e incluir essas
obras no PAC-2, para que a duplicação
seja efetuada com recursos da União.
Também vou colocar no PAC-2 obras
que vão melhorar significativamente
a BR-262, de BH até Vitória,
com duplicação nos trechos
de maior movimento. Com estas medidas, espero
que possamos garantir o máximo de
segurança para os usuários.
Carlos Alberto F. de Azevedo, 51 anos,
contador de Porto Alegre (RS) -Fala-se em
eventos como a Olimpíada e a Copa
do Mundo, mas os colégios, incluindo
os federais, não têm estrutura
para formar atletas e conseguir medalhas.
Existe projeto para o desenvolvimento dos
esportes nas escolas?
Presidente Lula - O empenho para o Brasil
sediar os dois eventos teve o objetivo,
entre outros, de promover uma grande mudança
na cultura esportiva do país. Pelo
programa Mais Educação, do
MEC, os alunos participam, nos turnos vagos,
de várias atividades, incluindo natação,
basquete, vôlei, futebol, handebol
e judô. O programa atende hoje 1,1
milhão de alunos. O Segundo Tempo,
do Ministério do Esporte, para incorporar
crianças, adolescentes e jovens aos
esportes, atende 1 milhão em 1.300
municípios. E a partir de parceria
com o MEC, o Ministério do Esporte
tem a meta de atender 1,5 milhão
de alunos até 2011 e 3 milhões
até 2012. Fornecemos para as escolas
incluídas no programa kits esportivos
e acompanhamento pedagógico pelas
instituições de ensino superior
parceiras. As escolas técnicas, que
chegarão a 354 até o final
do ano, também oferecerão
oficinas de esportes e vão equipar
suas quadras. Mas na preparação
para os grandes eventos esportivos é
fundamental que haja o envolvimento efetivo
dos demais poderes, nos três níveis
governamentais, dos cidadãos, dos
clubes, das ONG's, das empresas privadas,
enfim, de toda a sociedade.
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