Cleriston Alan
Santos, 25 anos, empresário de Campinas
(SP) - Quando o governo federal irá
estimular de fato os pequenos empresários,
cobrando menos impostos e investindo em
crédito acessível?
Presidenta Dilma - Nós temos plena
consciência da importância das
micro e pequenas empresas, que empregam,
sozinhas, quase a metade da mão de
obra no Brasil. Tanto que decidimos criar
a Secretaria da Micro e Pequena Empresa,
que terá status de ministério
e será vinculada diretamente à
Presidência. O órgão
vai facilitar em muito a formulação
de políticas de apoio - que, aliás,
já existem. Em 2006, com a aprovação
da lei que instituiu o Estatuto Nacional
da Microempresa e da Empresa de Pequeno
Porte, o setor foi fortemente beneficiado.
A lei estabeleceu estímulos para
acesso ao crédito, ao mercado, à
tecnologia e criou o Simples Nacional, que
unifica oito tributos. A lei garante também
que as compras do setor público,
de até R$ 80 mil, devem ser feitas
exclusivamente das micro e pequenas empresas.
Resultado: considerando as vendas apenas
para o governo federal, o faturamento do
setor subiu de R$ 3,8 bilhões, em
2005, para R$ 15,9 bilhões, em 2010.
O crescimento foi de 318%. Destaco também
que o aumento real da renda no país
foi um estímulo para toda a economia,
incluindo o setor das micro e pequenas empresas.
E mais: na semana passada, nós comemoramos
a marca de 1 milhão de trabalhadores
que aderiram ao programa Empreendedor Individual
e passaram ter inscrição no
CNPJ, a emitir nota fiscal, e a contar com
toda a proteção da Previdência
Social.
Felipe Castro B. dos Santos, 24 anos, economista,
Pequim (China) - Vivo em Pequim há
dois anos, como mestrando em políticas
públicas. Quais são os seus
planos para aperfeiçoar a representação
brasileira na China? E que medidas serão
tomadas para ampliar a cooperação
bilateral sino-brasileira?
Presidenta Dilma - Felipe, nossa embaixada
em Pequim já é uma das maiores
do Brasil. E, nos últimos anos, inauguramos
um consulado em Cantão e renovamos
o consulado de Xangai. Neste momento, estou
visitando o país, em uma das primeiras
viagens que faço ao exterior como
presidenta. A China já é,
desde 2009, o nosso maior parceiro comercial.
Queremos reciprocidade, isto é, aumentar
o acesso a produtos brasileiros no mercado
chinês, exportar produtos com maior
valor agregado. A China é o país
que mais investe no Brasil e trabalhamos
para aumentar a participação
de nossas empresas no desenvolvimento econômico
chinês. As parcerias devem ser estreitadas
em várias outras áreas, como,
por exemplo, em ciência, tecnologia
e inovação, bem como no campo
espacial e de defesa. Temos muitos interesses
em comum e atuamos de forma articulada no
cenário internacional, em fóruns
como o G-20, o grupo dos BRICs (Brasil,
Rússia, Índia e China) e do
BASIC (Brasil, África do Sul, Índia
e China). O Brasil e a China estabeleceram
entre si - e estamos aprofundando - uma
parceria estratégica de grande envergadura.
Maria das Graças G. da Silva, 48
anos, cabelereira de Abreu e Lima (PE) -
O que será feito para combater o
desemprego em nosso país?
Presidenta Dilma - Vamos prosseguir com
as medidas que vêm apresentando ótimos
resultados quanto à redução
do desemprego. O índice atual está
em torno de 6%, um dos mais baixos da história.
A criação de novos empregos
com carteira assinada foi de quase 15 milhões
no governo passado e, no primeiro bimestre
deste ano, já bateu novo recorde
histórico: 448 mil. O estímulo
ao crescimento tem sido vital para a geração
de novos postos de trabalho. Foram várias
iniciativas, inclusive os altos investimentos
em obras de infraestrutura energética,
logística e social-urbana, que se
espalham por todo o país. Com as
obras do PAC 2, incluindo o programa Minha
Casa Minha Vida, com o início da
exploração do pré-sal
e com a realização dos maiores
eventos esportivos do planeta - a Copa de
2014 e a Olimpíada de 2016 - aumentará
ainda mais a necessidade de mão de
obra. Em alguns setores já existem
mais vagas que candidatos qualificados para
preencher. É por isso que vamos investir
ainda mais no ensino, tanto nas universidades
e escolas técnicas quanto nos planos
nacionais de qualificação.
Para aumentar a reinserção
dos beneficiários do Seguro Desemprego
no mercado, lançamos recentemente
o portal Mais Emprego (http://maisemprego.mte.gov.br).
Com o site, que atenderá todos os
estados até o final do ano, vamos
integrar informações de vários
órgãos e facilitar a vida
de quem precisa de emprego.
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