Ocupando o período
de Grande Expediente, destaquei na última
semana a necessidade de o Estado constituir
o Estatuto do Concurso Público. O
Projeto de Lei (PL 96/2008) de minha autoria
que tramita na Assembléia com esse
objetivo defende a moralização
dos concursos para provimento de cargos
públicos, visando dar mais transparência
e probidade ao preenchimento das vagas.
O concurso é hoje o processo seletivo
mais democrático para se viabilizar
o acesso a uma carreira profissional na
administração pública.
Por isso, precisa ser o mais correto possível,
valorizando o investimento de tempo e de
dinheiro dos candidatos.
Vivemos o momento de passar o Estado a limpo
e esse é um bom caminho para investirmos,
evitando que os concursos tornem-se jogos
de cartas marcadas. Só no último
ano, o Ministério Público
Estadual identificou cem casos de irregularidades
em processos realizados em municípios
gaúchos, o que prejudicou a mais
de 600 concursandos. Fraudes na realização
de provas, suspeitas de apadrinhamento de
parentes e de afilhados políticos
afrontam os princípios constitucionais
da legalidade e da moralidade.
O projeto que apresentei conta com 114 artigos
e visa coibir irregularidades em editais,
provas mal formuladas, uso de questões
já aplicadas em outras seleções,
falta de fiscalização e controle
na relação contratual entre
a administração pública
e a instituição organizadora
do concurso, contratação irregular
de empresas para a aplicação
dos testes e até desobediência
à Lei de Licitações.
O Rio Grande do Sul clama por uma legislação
clara para regulamentar os concursos e resgatar
a credibilidade da população
nesses processos. Esses exames não
podem, de forma alguma, se transformar em
jogo de cartas marcadas, mas sim se consolidarem
como processos seletivos legais, justos,
impessoais e morais.
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